Vítima de crime no PR mantém depoimento sobre o autor

A estudante Monik Pegorari de Lima, ferida com tiros na coluna e na perna em janeiro, no Morro do Boi, em Matinhos, litoral do Paraná, repetiu hoje que o auxiliar de serviços gerais Juarez Ferreira Pinto foi o autor dos disparos que também mataram seu namorado, Osíris Del Corso. Ela não acredita na veracidade das palavras do ex-vigia Paulo Delci Unfried, que confessou o crime ontem. Com Unfried, a polícia encontrou o revólver calibre 38, de onde os tiros partiram. "Não tem nada a ver, quem atirou, quem fez isso foi o Juarez", afirmou Monik. Ela não consegue mover as pernas desde o dia do crime.

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

01 Julho 2009 | 18h15

A jovem de 23 anos disse ter estranhado quando a polícia telefonou para sua casa para comunicá-la sobre a necessidade de fazer um novo reconhecimento por meio de uma fotografia de Unfried. "Não parece com o cara que fez isso comigo, tem muitas diferenças nos olhos, nas características do rosto e no cabelo", afirmou. "O que está acontecendo é um absurdo."

Segundo ela, a pessoa que a feriu era calva no alto da cabeça, enquanto Unfried tem cabelo, ainda que baixos, e entradas na testa. "Não sei o que está acontecendo para ele assumir a culpa. É uma coisa que a polícia deve descobrir", disse. O reconhecimento de Juarez feito pela jovem, primeiramente por meio de fotografia e, posteriormente, quando estava no hospital, é um dos principais argumentos da polícia para o indiciamento no inquérito. As conclusões foram acatadas pelo Ministério Público, que apresentou denúncia recebida pela Justiça. "Você imagina que eu ia reconhecer um cara que era inocente?", questionou Monik.

Em entrevista coletiva, o professor de psicologia forense Rodrigo Soares Santos, contratado pela defesa de Juarez, disse que é "explicável" a sustentação feita pela estudante e acredita que provavelmente ela não mudará a opinião. "A imagem do Juarez está associada a uma emoção forte e a imagem do Paulo agora já não tem mais o menor significado para ela", acentuou. Segundo ele, a moça foi induzida quando reconheceu Juarez como o culpado e, agora, é influenciada por uma "falsa memória". "O procedimento foi feito de uma maneira que não se sustenta tecnicamente", afirmou.

O advogado Nilton Ribeiro protocolou pedido na Justiça para que Juarez seja solto. O irmão do acusado, Airton Ferreira, que é policial civil, disse que, tão logo haja condições legais, a família entrará com ação por danos materiais e morais contra o Estado. A polícia deve fazer novas diligências para confirmar a confissão de Unfried que, segundo o Ministério Público, tem muitas contradições.

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