Vitória de Obama gera festa e temores nos EUA

Os americanos acordaram na quarta-feira num clima de alegria, otimismo cauteloso e franca preocupação depois da histórica eleição do democrata Barack Obama como presidente. Horas após o discurso da vitória de Obama a milhares de seguidores em Chicago, os norte-americanos foram para o trabalho carregando um copo de café e jornais que proclamavam a entrada de Obama para a história como o primeiro presidente negro do país. "Estou animada, é um enorme passo na direção certa", disse a enfermeira Kim Andrews ao entrar num hospital de Cincinnati, ao amanhecer. Obama aproveitou a onda de descontentamento com o governo Bush, o que também permitiu que os democratas ampliassem sua maioria no Congresso. Andrews, 23 anos, disse que chorou, vendo pela TV a vitória de Obama, por perceber que os EUA haviam dado um grande passo na sua longa e turbulenta história racial. "Isso mostra que qualquer um pode fazer qualquer coisa." Em Detroit, o editor Brian Boyle, 43 anos, estava igualmente entusiasmado. "Eu me sinto muito melhor com o mundo hoje do que ontem. Acho que o mundo se sente muito melhor com o nosso país hoje do que ontem. Foi uma noite realmente incrível." "Acho que Barack realmente tem uma qualificação ímpar para construir pontes e construir uma aliança com líderes mundiais que estejam comprometidos em melhorar o mundo", acrescentou. John Ward, que votou em John McCain, admitiu o caráter histórico da vitória de Obama. "Quem teria pensado que chegamos tão longe? Acho ótimo para o país", disse Ward, 44 anos, que trabalha no setor da tecnologia da informação em Cincinnati. "Sou conservador, mas gostei de muito do que Obama tinha a dizer, e acho que será uma boa mudança para o país após oito anos difíceis." "ÓTIMO, MAS ASSUSTADOR" Obama alertou na terça-feira à noite que enfrentará como presidente enormes desafios econômicos, além de duas guerras, e que não poderá agradar a todos. McCain, que admitiu a derrota minutos depois do fechamento das urnas na Costa Oeste, pediu a seus seguidores que se unam e colaborem com os democratas nos tempos difíceis que devem estar pela frente. Mas alguns republicanos não escondem sua frustração com o resultado e seu ressentimento com a imprensa, considerada "obamista demais" ao longo da campanha. "A imprensa fechou com ele há muitos meses. Tudo o que escreviam era pró-Obama demais", disse Patti Sutton, que trabalha num bar em Scottsdale, Arizona. Ela disse que vai apoiar Obama - "É o meu presidente" - mas continua preocupada com as mudanças que ele provocará. "Minha maior preocupação é que deixemos o Iraque rápido demais e paguemos mais impostos. Ele tem ótimos conselheiros como Colin Powell e Warren Buffett, e vai precisar deles." Alguns eleitores também temem que Obama alimente o ressentimento racista, o que talvez ameace sua integridade física. "É ótimo, mas assustador", disse a enfermeira Natasha Johnson, 28 anos, em Cincinnati. "Já houve dois planos frustrados de assassinato, ainda há muita gente que não concorda ." Em outubro, dois skinheads foram presos num suposto plano primário para matar Obama e dezenas de outros negros. Obama recebe proteção do Serviço Secreto desde o começo da campanha. (Reportagem adicional de Soyoung Kim, em Detroit, e Tim Gaynor, no Arizona)

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