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Viver como os locais, comprar pelo celular: as tendências do turismo

Relatório da World Travel Market indica estas e outras tendências para o mercado turístico

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2015 | 20h22

O turismo passa por um momento delicado em todo mundo. Esta é uma das conclusões do WTM Trends Report, relatório do World Travel Market (WTM), em parceria com o Euromonitor, sobre as tendências do setor, divulgado ontem durante o evento da WTM, em Londres . As tensões geopolíticas (especialmente no norte da África e no Oriente Médio) têm seu papel, assim como a crise econômica, que atinge não apenas o Brasil, mas também potências repletas de potencial turístico, como China, Rússia e Europa. Ainda assim, a previsão é que até o fim de 2015 o crescimento do setor em todo mundo chegue a 3,7%. Para ler o relatório completo (em inglês) clique aqui.

Profissionais que folgam são mais felizes

Além de números, o relatório mostra também uma nova tendência comportamental dos viajantes, com os millennials (geração nascida pós-internet) moldando as tendências turísticas. De acordo com o estudo, distribuir as viagens ao longo do ano, fora dos feriados, já é uma tendência, o que melhora os preços encontrados.

Esse comportamento está ligado à ideia de que profissionais com folgas remuneradas são mais produtivos e mais felizes e, portanto, conseguem várias pausas ao ano. O Brasil está entre os países com mais feriados remunerados, ao contrário dos Estados Unidos e dos países asiáticos, por exemplo. Nesse cenário, os Estados Unidos apresentam um grande potencial de crescimento, com diversas empresas de tecnologia adotando novas formas de deixar os funcionários felizes. Um exemplo é a pre-cation, ou férias prévias, onde o funcionário descansa antes de começar no novo emprego.

Experiências locais são tendência

Outra tendência puxada pelos millennials são as viagens que se aproximam do cotidiano local. Talvez por isso, a internet represente um papel importante, desde o planejamento até as reservas de aéreos e hotéis – e, cada vez mais diretamente no celular (leia mais abaixo).

A combinação desses fatores teve consequências diretas no turismo do Reino Unido. Cidades menores cidades passaram a ter maior visibilidade e interesse turístico, como Bristol e Cambridge. A valorizada libra, contudo, faz com que o Reino Unido seja caro não só para os brasileiros, mas também para os europeus, que também vêm lutando com a crise em vários países, retraindo o crescimento de desembarques.

Na Europa, embora os centros turísticos continuem em voga, bairros fora do circuito convencional são cada vez mais procurados, como Kreuzberg, em Berlim, Distrito VII em Budapeste e Miera Iela, em Riga. A hotelaria vem percebendo esse movimento e inaugurando opções de hospedagem também nesses distritos – em Amsterdã, por exemplo, a cidade percebeu a tendência e incentivou a abertura de hotéis longe do centro.

A China, antes reticente com o conceito de economia compartilhada, começa a entrar nesse mercado, especialmente em hospedagem e compartilhamento de carros. E já há concorrentes locais para empresas como Uber e Airbnb. O Viagem falou sobre o tema, com sugestões para quem quer usar a economia compartilhada como base para suas viagens, aqui. 

Viva a tecnologia

Cada vez mais ferramentas auxiliam os viajantes, e a tendência é oferecer algo antes mesmo que ele saiba o que quer. O aplicativo para o Apple Watch do Travel Advisor sugere restaurantes bem avaliados nas imediações onde o turista está (leia aqui um teste com o gadget em viagens). O Google segue o mesmo caminho e, em breve, além da localização, as sugestões devem ser dadas baseadas também no comportamento do viajante.

Talvez por isso o celular venha desempenhando um papel cada vez mais importante na decisão do consumidor. Foram US$ 96 bilhões de vendas – cerca de 12,5% do total de operações – pelo smartphone. Até 2019, a previsão é que esses números cresçam em 22%.

Hotéis ainda crescem

Mesmo com cada vez mais opções alternativas de hospedagem, a hotelaria apresentou crescimento nos últimos anos – 4,5% em 2014 e 3,8% em 2015. Segundo o estudo, tanto hotéis de luxo quanto opções mais econômicas vêm demonstrando um bom desempenho. Quem sofre mais são os hotéis intermediários, que concorrem mais diretamente com os quartos e apartamentos alugados.

 

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