Vizinhos pedem que Cabral se mude do Leblon

O confronto em plena Avenida Delfim Moreira, no Leblon, no Rio, entre policiais militares e manifestantes, perto da rua em que mora o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), levou um grupo de moradores do bairro a iniciar movimento, pedindo a mudança dele e da família dele. Eles pedem que Cabral mude para a residência oficial do Estado, no Palácio Laranjeiras. A confusão aconteceu às 22h50, quando PMs dispersaram os manifestantes com tiros de bala de borracha e bombas de gás. A Delfim Moreira ficou interditada nos dois sentidos. Seis manifestantes foram presos e quatro policiais militares ficaram feridos durante confronto.

CLARISSA THOMÉ E MARCELO GOMES, Agência Estado

05 de julho de 2013 | 20h29

"Quero deixar bem claro que não tenho nada contra os protestos, sou a favor de quase todos eles, que têm mudado o país para melhor. Só não aceito protestos violentos e depredações. Mas desde que Sérgio Cabral assumiu, a rua ficou muito conturbada", afirmou a psicóloga Cynthia Clark, idealizadora da coleta de assinaturas. Cynthia refere-se à Rua Aristides Espíndola.

Ela perdeu a conta das categorias que fizeram barulho na porta de seu prédio: médicos, professores, estudantes, bombeiros. Em junho, por três semanas, um grupo de manifestantes acampou na Rua Aristides Espínola, em que vive o governador do Rio. O trânsito ficou interditado por vários dias. O confronto da noite desta quinta-feira, 4, avançou até o início da madrugada e havia muita fumaça de gás lacrimogêneo. "Acreditamos que só há uma solução (...) o senhor deixar de confundir sua vida privada com sua vida pública, e passar a morar no lugar destinado a ser moradia do governador do Estado do Rio de Janeiro: o Palácio Laranjeiras", diz o texto do documento distribuído entre os vizinhos.

A assessoria do governo do Estado não comentou a iniciativa dos moradores. Nesta sexta-feira, o policiamento continuou reforçado durante todo o dia na Rua Aristides Espínola. Três carros da PM estacionados na esquina com a Avenida Delfim Moreira, na orla, e outros três veículos da polícia estavam no outro extremo do quarteirão, na esquina com a Rua General San Martin. Também havia viaturas da PM paradas nas esquinas da orla com ruas paralelas à Aristides Espínola.

Pelo menos três carros pretos descaracterizados que pertencem à equipe de segurança pessoal do governador estavam parados nas cercanias da casa de Cabral. Seguranças à paisana estavam distribuídos por cerca de 300 metros de extensão da rua. A psicóloga Rosália Mendes, de 63 anos, disse que a manifestação estava pacífica até que, por volta das 22 horas, as luzes dos postes da Avenida Delfim Moreira teriam sido apagadas. "Eu estava no protesto. O movimento era pacífico e bonito, até que apagaram a luz da praia e começou a confusão. Acho que, conforme foi aumentando o número de manifestantes, a polícia deve ter recebido uma ordem para agir", disse a moradora do Leblon.

Em nota, Cabral disse que a Polícia Militar só agiu para dispersar manifestantes que protestavam perto de sua casa em reação a atos violentos. Em outra nota, a Polícia Militar diz que foi "atacada a pedradas no Leblon" e informa que três policias ficaram feridos e seis pessoas foram presas. Manifestantes acusam os PMs (que estavam sem as identificações) de terem começado com as agressões.

Mais conteúdo sobre:
ProtestosRioCabral

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.