Você é a favor das cotas raciais?

Sim

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h40

 

Marcus Orione

PROFESSOR DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DA FACULDADE DE DIREITO DA USP

 

"Precisamos segmentar, porque só a cota social, com fatores econômicos, não dá conta de resolver a exclusão pela qual passam os negros. E isso não é uma suposição, há números que provam.

 

Para se ter uma mostra da ineficácia da cota social em relação à inserção do negro, basta ver números da USP. Apesar das políticas de inclusão social - como Inclusp e Pasusp - que hoje garantem que 28% dos alunos venham de escola pública (dados do vestibular 2012), o número de universitários negros por lá continua muito pequeno. Nos cursos mais concorridos, são completa raridade. Na Faculdade de Direito, por exemplo, apenas 2% dos alunos são negros.

 

Por isso, além do porcentual, o projeto tem o grande mérito de estipular que o índice seja respeitado dentro de cada curso, sempre obedecendo à representatividade da população negra no Estado que abriga a instituição. Isso é bárbaro e um grande avanço no combate a essa dupla discriminação pela qual passa o negro: a da pobreza e a da cor da tez."

 

Não

 

Nina Ranieri

COORDENADORA DA CÁTEDRA UNESCO DE DIREITO À EDUCAÇÃO DA FACULDADE DE DIREITO DA USP

 

"Creio na pertinência das cotas em universidades públicas, mas elas devem ser sociais, com critérios econômicos bem estabelecidos. Uma política afirmativa nesse formato traria o mesmo efeito prático e sem criar esse tipo de cisão étnica que não é uma medida pedagógica correta. Se a ideia é facilitar a integração, criar esses nichos pode acirrar ainda mais a discriminação.

 

Mas não se poderia esperar outra decisão do Senado. É claro que a aprovação desse projeto apenas reafirmou a posição do STF que, em abril deste ano, já havia decidido pela constitucionalidade das cotas raciais.

 

Receio que uma atitude de integração como essa minimize apenas momentaneamente a disparidade, isto é, o Estado garante o acesso, mas depois deixa o estudante por si só.

 

Como professora, gostaria que os alunos chegassem com uma base compatível, que não fosse apenas uma inserção sem avaliação rigorosa do mérito. E isso só acontecerá se houver um investimento na educação básica."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.