Vodca no olho motiva transplante em Campinas

Estudante perdeu 95% da visão; prática queima córnea e não intensifica efeito do álcool

Tatiana Fávaro / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

Um estudante de 23 anos ficou com apenas 5% da visão após pingar vodca em um dos olhos - a prática, chamada de vodca eyeballing, serviria para potencializar o efeito do álcool - e terá de passar por um transplante de córnea. O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas, aguarda a redução da inflamação ocular do estudante, que cursa Economia e é de classe social alta, para fazer a cirurgia.

"Foi burrice", disse o rapaz, que não quis se identificar. Ele afirmou ter visto a prática na internet e resolveu testá-la em uma festa. "Dois amigos colocaram a garrafa direto no olho. Eu coloquei com a colher. Tive a infelicidade de o álcool queimar a córnea."

O jovem disse que estava alcoolizado e não percebeu na hora o mal que causou a si próprio, pois usa óculos e pensou que a visão estava turva por causa de sua deficiência. Ele se diz arrependido e resolveu falar para servir de exemplo para outros jovens.

Esse é um dos dois casos de lesão ocular por queimadura com vodca atendidos por Queiroz Neto no mês passado. O médico afirma que, além de causar danos muitas vezes irreversíveis à visão, a prática tem um objetivo infundado. "O olho não tem condições de absorver álcool. Essa prática na superfície do olho sempre vai causar queimadura", alerta o oftalmologista.

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