Volks vai investir R$ 6,2 bi no País, maior volume dos últimos dez anos

Verba vai para criação de novos carros e ampliação de fábricas; empresa também vai patrocinar a seleção brasileira

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

A Volkswagen vai investir R$ 6,2 bilhões no País, o maior volume já aplicado pela companhia desde que construiu a fábrica do Paraná, há dez anos. Metade do montante será subsidiado pela matriz alemã e terá como destino o desenvolvimento de novos carros e a ampliação das fábricas de São Bernardo do Campo, Taubaté e São Carlos, todas em São Paulo. A montadora também anunciou ontem que vai patrocinar a seleção brasileira de futebol até 2014.

O anúncio do investimento ocorreu três dias depois que o governo decidiu prorrogar, até março, o corte do IPI para carros flex, mas o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, disse que a medida é de curto prazo e nada tem a ver com o plano de investimento, que se destina para o período 2010 a 2014. Ele informou, contudo, ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da decisão. "Precisávamos ter confiança de que as diretrizes do País são para a continuidade do crescimento da economia."

Na sexta-feira, a Ford já havia divulgado um investimento de R$ 4 bilhões para o período 2011/2015. Em julho, outra grande montadora, a General Motors, confirmou R$ 2 bilhões até 2012. O aporte da Volkswagen está incluído no plano anunciado na semana passada pela matriz alemã de ? 26 bilhões, sendo metade para as fábricas da Alemanha e a outra metade para as unidades dos demais países.

A divisão leva em conta o tamanho e as projeções de crescimento cada mercado. De acordo com Schmall, a parte do investimento da filial não terá suporte de bancos locais, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas empréstimos da própria matriz.

O Brasil é o terceiro maior mercado para a companhia, atrás da China e da própria Alemanha, nos próximos anos, pode ultrapassar a matriz, conforme previsões de Schmall. A filial brasileira espera chegar em 2014 com vendas de 1 milhão de veículos, o equivalente a 25% do mercado nacional, projetado em 4 milhões de unidades. "Para isso, precisamos ampliar nossa capacidade produtiva", disse o executivo.

Hoje, as três fábricas de automóveis do grupo (Anchieta, Taubaté e Paraná) têm capacidade anual para 840 mil veículos e atingirá este ano cerca de 800 mil unidades. Schmall ainda não quis detalhar a divisão dos investimentos por fábrica (incluindo a de motores, em São Carlos), porque está negociando com os trabalhadores questões que envolvem qualidade produtiva e flexibilidade nas relações trabalhistas.

A fábrica de São José dos Pinhas (PR), onde são feitos os modelos Fox e Golf, ficou de fora do novo plano. Recentemente, os funcionários da unidade promoveram uma greve que desagradou aos dirigentes da companhia, mas Schmall garantiu que essa não foi a razão da exclusão.

A empresa aproveitou o evento de anúncio ontem do patrocínio da seleção brasileira para apresentar o novo CrossFox. Com esse modelo, a marca completa 15 lançamentos neste ano, de um total de 16 previstos. O último deles será apresentado nas próximas semanas. A antecipação de lançamentos, uma estratégia para ganhar mercado, levou o grupo a concluir um ano antes do previsto o plano de investimento quinquenal de R$ 3,2 bilhões, inicialmente previsto para 2007 a 2011. O resultado foi um crescimento de 13% nas vendas este ano, enquanto o mercado cresceu cerca de 7%.

Com os novos produtos, a marca recuperou neste ano a liderança em vendas de automóveis, perdida para a Fiat em 2001, mas ainda segue atrás da concorrente quando somadas as vendas de automóveis e comerciais leves. Embora não declare oficialmente, o grupo trabalha para voltar ao posto de número um em vendas já em 2010, com lançamentos de modelos como a picape média Amarok, que será produzida na Argentina. Ao todo, a marca vai lançar 13 modelos, entre carros novos e reestilizações.

Schmall considerou positiva a manutenção parcial do corte do IPI para carros flex, mas acha que a estratégia terá de ser revista se não der resultados após o término dessa nova vigência. "A indústria automobilística é a locomotiva da indústria", ressaltou ele, ao lembrar que, para cada emprego criado na montadora, são gerados outros 30 em toda a cadeia automotiva.

A expansão da capacidade produtiva da VW vai exigir contratações, mas Schmall considera ser cedo para falar sobre números. Neste ano, a montadora contratou 2,8 mil pessoas (1,2 mil novas vagas e 1,6 mil efetivações de contratos temporários). Ao todo, o grupo emprega 21,7 mil trabalhadores.

NÚMEROS

R$ 4 bilhões

foi o investimento anunciado pela Ford, há uma semana, para o período 2011/2015

R$ 2 bilhões

é quanto a General Motors pretende investir até 2012

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.