Voo 447: FAB termina o dia sem achar material relevante

Ministro da Defesa afirmou hoje que alguns materiais encontrados são, sim, do avião da Air France

AE, Agencia Estado

05 de junho de 2009 | 20h37

As equipes responsáveis pelas buscas aos destroços do Airbus A330 da Air France desaparecido no domingo não avistaram hoje nenhum material relevante na área delimitada. "Além dos pedaços serem pequenos e da área ser muito grande, alguns desses destroços que estavam flutuando nos primeiros dias podem ter afundado", disse na noite desta sexta-feira o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Ramon Borges Cardoso.

 

 

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Segundo ele, a partir de sábado, os militares se dirigirão para outros pontos identificados pelos radares ou com base nas áreas calculadas levando em conta as correntes marítimas, cuja direção e velocidade mudaram um pouco. "O que estamos fazendo agora, já que é possível fazer uma busca com mais calma, é avaliar antes de retirar o material da água se é lixo ou destroço". O brigadeiro afirmou que uma das prioridades é a busca por poltronas, que são flutuantes e servem como meio de sobrevivência em casos de acidente.

O diretor considera ínfima a probabilidade de encontrar sobreviventes. "As chances de encontrar são muito pequenas. É muito difícil que se encontre algum sobrevivente, tendo em vista o acidente e o tempo decorrido depois dele".

 

Destroços encontrados

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou nesta sexta-feira, 5, que parte dos destroços encontrados pelas embarcações da Marinha do Brasil são mesmo do avião da Air France que caiu no Oceano Atlântico. Ele chegou a São Borja nesta manhã para vistoriar a Operação Fronteira Sul, que se desenvolve no município, sob a coordenação do Comando Militar do Sul. Jobim comentou que parte do material localizado é lixo descartado por navios e outra parte é formada por pedaços da aeronave francesa. "Fizemos em Fernando de Noronha um ponto de apoio, onde já está um container frigorífico, para o caso de ser localizado algum corpo", comentou.

 

A Aeronáutica informou na última quinta que as peças encontradas a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha não eram da aeronave. De acordo com o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, o pallet (espécie de porta bagagem) içado pela Marinha é feito de madeira. As duas bóias que a Aeronáutica chegou a afirmar que haviam sido resgatadas, na realidade, sequer chegaram a ser levadas a bordo.

 

A promotoria de Paris abriu nesta sexta-feira uma investigação por "homicídio culposo" para apurar o desaparecimento do Airbus da Air France que voava do Rio para Paris no último domingo. A investigação, segundo um comunicado da promotoria, não se dirige contra ninguém em particular. A juíza instrutora do caso será Sylvie Zimmerman. A Corte de Paris informou também que a promotoria enviou uma carta para cada uma das famílias das vítimas para notificá-las desse procedimento penal. Os parentes também foram informados que foi aberto um procedimento civil sobre o caso no Tribunal de Paris.

 

Também nesta sexta, o governo francês lamentou a notícia de que os destroços não eram do Airbus. Em uma entrevista à rádio francesa RTL, o secretário francês de Transportes, Dominique Bussereau, disse que a revelação é uma "má notícia". "É evidentemente uma má notícia. Teríamos preferido que fosse do avião e que tivéssemos informações", disse Bussereau. Mas ele rejeitou a sugestão de que as autoridades brasileiras tenham se apressado ao relacionar a peça à aeronave. 

 

Velocidades incoerentes

As declarações do secretário francês foram dadas horas antes de a agência francesa que investiga o acidente divulgar que havia uma "incoerência" nas informações de velocidade medidas pelos aparelhos do avião. Em um comunicado à imprensa, o Centro de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) afirmou que é possível estabelecer, "a partir da avaliação das mensagens automáticas transmitidas pelo avião, uma incoerência das diferentes velocidades medidas".

A aeronave possui diferentes aparelhos para mensurar a velocidade, e os investigadores disseram que havia "uma incoerência entre essas velocidades". Ainda segundo o comunicado, a investigação permite confirmar que o avião voava em uma zona de forte tempestade no momento em que teria ocorrido o acidente. A nota diz que "esses são os únicos elementos estabelecidos" e pede que se evitem "todas as interpretações apressada ou especulação".

Na quinta-feira, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, afirmou que "qualquer pista sobre o desaparecimento do avião no Oceano Atlântico é "prematura". "Há um exagero de informações, em todas as direções, que são mais ou menos verdadeiras, mais ou menos validadas com extrapolações e tentativas de explicações", afirmou.

 

(Com Agências internacionais)

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