Votorantim vai investir 15% a mais até 2011

Plano de investimento subiu de R$ 26 bilhões para R$ 30 bilhões

Renato Andrade, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2010 | 00h00

O grupo Votorantim resolveu ampliar em 15,4% seu programa de investimentos até 2011, aproveitando o bom momento da economia brasileira. Os segmentos de cimento e aços longos serão as prioridades do grupo, disse Carlos Ermírio de Moraes, presidente do conselho de administração da Votorantim Participações. Com a mudança, os desembolsos do grupo serão ampliados para R$ 30 bilhões. Para este ano, o investimento chega a R$ 4,5 bilhões.

A decisão de aumentar o volume de investimentos do programa definido para o período de 2007 a 2011 foi anunciada ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante audiência no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo. Segundo Carlos Ermírio de Moraes, nos últimos três anos o grupo investiu R$ 20 bilhões dos R$ 26 bilhões que estavam inicialmente previstos para serem aplicados durante os cincos anos do programa.

Com a retomada do ritmo de crescimento da economia e as perspectivas positivas para o setor de construção civil, o grupo resolveu revisar os investimentos. "Temos novos projetos entrando", afirmou Moraes após o encontro com Lula. "O grupo tem investido em novas fábricas, tanto de cimento quanto de aços longos, e não deixamos de cuidar também das outras áreas, que são metais, celulose e laranja", afirmou.

Durante a reunião, os executivos do grupo Votorantim apresentaram uma lista com 20 projetos que devem ser implantados até 2013. No setor de cimentos, as unidades instaladas no ano passado e as que entrarão em operação em 2010 deverão representar um aumento de 5,25 milhões de toneladas de cimento oferecidas no mercado.

No segmento de celulose e papel, os investimentos serão feitos de acordo com o processo de recuperação do mercado, afirmou Moraes. "Existem novos investimentos previstos, mas o mercado ainda não está completamente recuperado, temos de adequar os investimentos à medida que o mercado amadureça e exija novas capacidades", disse.

Segundo ele, o setor de celulose passou a ser um "ativo de grande importância" para o grupo em 2009, depois da fusão da Votorantim Celulose e Papel (VCP) e a Aracruz, que resultou na criação da Fibria, a maior produtora mundial de celulose de eucalipto. Um dos projetos neste setor que podem ser contemplados ao longo dos próximos dois anos é a duplicação da capacidade de produção da Veracel, na Bahia. "É o projeto que estaria mais maduro."

ENERGIA

Durante a audiência, os executivos da Votorantim aproveitaram a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para externar a preocupação com o aumento dos custos de energia no País. "Há uma preocupação crescente porque a matriz energética brasileira, que é basicamente hídrica, deverá ter maior participação do gás nos próximos cinco anos, e isso coloca pressão nos preços", disse Moraes. "Temos de assegurar que o Brasil tenha energia competitiva para o setor industrial."

O custo da energia foi uma das razões para que o grupo decidisse ampliar a capacidade de produção de sua fábrica de zinco no Peru, disse Moraes. A instalação de uma unidade de alumínio em Trinidad e Tobago também foi tomada tendo como "fator decisivo" o custo de energia.

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