'Vou manter a reitora', afirma grão-chanceler da PUC-SP

Cardeal d. Odilo Scherer diz que respeitou estatuto ao selecionar, de uma lista com três candidatos, a terceira colocada em eleição

Entrevista com

José Maria Mayrink, de O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2012 | 02h02

O grão-chanceler da PUC-SP, cardeal d. Odilo Scherer, diz que respeitou o estatuto da universidade ao nomear a professora Anna Cintra, terceira colocada na eleição, para a reitoria. E que manterá sua escolha.

Como o sr. justifica ter escolhido a professora Anna Cintra?

A escolha está em plena conformidade com o estatuto da universidade e com aquilo que é previsto para a escolha do reitor e do vice-reitor. O mecanismo da lista tríplice implica a escolha de um dos três. Se não fosse assim, deveria ser apresentado um candidato único. E a escolha do terceiro em vez do primeiro colocado pertence à competência discricionária do grão-chanceler, tendo em vista o bem da universidade, pelas razões que ele julga serem convincentes.

Essa é uma posição pessoal do grão-chanceler ou o sr. se cercou de outros pareceres?

Houve um processo prévio de campanha eleitoral, de consulta à comunidade universitária mediante voto, como é previsto no regimento. Durante essa fase, eu me mantive a distância, como era meu dever, deixando que a comunidade universitária fizesse a sua parte. E, num segundo momento, deixando que o conselho superior da universidade também fizesse a sua parte, homologasse a lista tríplice e a apresentasse ao grão-chanceler. Num terceiro momento, como grão-chanceler, tomei conselho, informação sobre as pautas de campanha, sobre as propostas e as necessidades da universidade. Também sobre a situação pessoal dos candidatos. Em função da convicção que fui formando, escolhi quem eu achei que devia escolher.

Pesou o fato de a PUC ser uma universidade católica?

A lista tríplice não existe só na PUC-SP. Existe também em universidades públicas. O fato de a universidade ser católica é levado em conta. É da identidade da universidade.

Teme que a crise causada pela escolha tenha consequências desastrosas para a PUC?

Preocupa-me a repercussão com relação à imagem da PUC. Por uma ação de força se quer impor o que não está previsto estatutariamente. Cria-se, então, uma imagem questionável sobre a PUC. Minha preocupação é que a PUC funcione e que o que está previsto em seu ordenamento seja respeitado.

O senhor admite a possibilidade de rever sua posição em relação ao vencedor e anular a eleição da reitora?

Vou manter a reitora. Não há motivo institucional, legal ou jurídico que me faça retornar.

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