Vulcão deixa aéreas em compasso de espera para férias de julho

A nuvem de cinzas emitida por um vulcão chileno desde o início de junho está afetando decisões de viagens para a movimentada temporada de férias julho, afirmaram representantes do setor.

REUTERS

15 Junho 2011 | 16h52

A erupção do complexo de vulcões Puyehue-Cordón Caulle, no sul do Chile, prejudica há cerca de 10 dias o sistema aéreo no Cone Sul e milhares de passageiros estão retidos devido à suspensão dos voos, especialmente em Buenos Aires.

Destinos como Bariloche, na Argentina, e Las Leñas, no Chile, muito procurados por brasileiros durante o inverno, começam a ser preteridos em favor de pacotes bem mais ao norte do continente, como Caribe, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Marco Ferraz, à Reuters.

"Operadoras com voos fretados para Bariloche, algumas estão remarcando, trocando Bariloche por outros destinos e a procura diminuiu (por destinos na América do Sul). Tem muita gente indo para o Caribe, Cancun, Punta Cana, Barbados, Aruba", afirmou Ferraz, em referência a viagens marcadas para julho. Gol, Copa Airlines, Avianca e LAN estão entre as principais empresas que operam destinos na região do Caribe.

Ele afirmou que os últimos sinais indicam que o vulcão está reduzindo sua atividade e "se ele continuar diminuindo a quantidade de poeira, para julho ainda vai dar para manter a temporada".

Os problemas causados pelo vulcão ocorrem no trimestre de movimento mais fraco para as companhias aéreas e em um momento em que custos maiores com combustíveis pressionam suas operações.

Desde o início da erupção, em 4 junho, até terça-feira as ações das duas principais companhias aéreas do Brasil registram perdas. A TAM acumula queda de 7 por cento e a Gol tem baixa de 9 por cento. A chilena LAN também não foge à regra e mostra desvalorização de 8 por cento.

PREJUÍZOS

Procuradas, TAM e Gol afirmam que não contabilizaram ainda eventuais prejuízos causados pelos cancelamentos desde o início do mês. Somente a TAM afirma que teve de cancelar cerca de 200 voos em seis dias, incluindo os do dia 10, quando a nuvem de cinzas afetou operações aéreas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A companhia realiza normalmente uma média de 881 voos por dia.

Para a analista do setor aéreo da corretora SLW, Rosângela Ribeiro, as cinzas do vulcão chileno no período agiram como catalisador de problemas já enfrentados por TAM e Gol. Além de um aumento em custos com combustível no segundo trimestre, que vai forçar alta de preços de passagens no início do terceiro, a fusão da TAM com a LAN segue em análise por autoridades chilenas de defesa da concorrência, retardando os planos de união das duas empresas.

"O impacto desses cancelamentos de voos sozinho não deveria gerar um efeito tão acelerado que justifique tamanha queda nas ações da TAM e da Gol. O impacto do vulcão é pequeno para haver esse efeito tão grande na cotação das ações", afirma Rosângela Ribeiro.

"O vulcão só faz potencializar os problemas, na época da crise da gripe suína (em 2009) o impacto no balanço das empresas não chegou a ser grande."

Nesta quarta-feira, as ações da TAM exibiam queda de 0,6 por cento, enquanto a Gol pedia 1,7 por cento e o Ibovespa recuava 0,91 por cento.

Por ora, a CVC, maior operadora de turismo do Brasil afirma que não teve de alterar sua programação para julho, com voos fretados para Bariloche já reservados junto à TAM e à Gol.

"A gente está em compasso de espera. Por experiência com outros eventos, a tendência é normalizar a situação nos próximos dias", afirmou a assessoria de imprensa da companhia.

Para Ferraz, da Braztoa, muitos viajantes estão esperando para tomar uma decisão sobre seus destinos até a próxima semana para não correrem o risco de organizarem as férias "na última hora".

"Semana que vem é semana de decisão, porque vai estar a uma semana do início de julho e aí (alterações de destinos de viagem) não ficarão para última hora, pelo menos para os 10 primeiros dias de julho", disse Ferraz.

Ele comentou que para destinos nos Estados Unidos, Europa e Caribe os voos seguem cheios, apesar do setor registrar no segundo trimestre uma queda de 5 a 10 por cento no movimento de embarques dos operadores de turismo em relação ao mesmo período do ano passado.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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