Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Wagner diz ser preciso 'enxotar' intolerância política

Ao defender permanência de Dilma até o fim do mandato, ministro da Casa Civil reconhece erros do PT na oposição a FHC e afirma que tolerar o contraditório é a 'alma da democracia'

Mário Braga, Ricardo Leopoldo e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2015 | 10h39

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, fez na manhã desta segunda-feira, 26, um discurso conciliador e um chamamento ao diálogo "pelos melhores interesses da sociedade brasileira". "Estimulamos o ambiente de tolerância pelo contraditório, que é a alma, a energia, o oxigênio da democracia", afirmou, durante a 18ª edição do prêmio "As Empresas Mais Admiradas no Brasil", promovido pela revista Carta Capital. Sem mencionar o termo "impeachment", o ministro disse ser necessário "enxotar" qualquer ambiente de intolerância e fez um mea culpa ao comparar a atuação da oposição ao governo Dilma Rousseff à forma como o PT enfrentou o governo Fernando Henrique Cardoso e criticar quem tente antecipar a troca de grupos políticos no comando do País. "A existência de governo e oposição são fundamentais para que, na alternância de poder, a população possa escolher o melhor caminho a cada quatro anos", discursou Wagner.

Falando a uma plateia de empresários, o ministro ressaltou que a intolerância ao contraditório tende a empurrar o País "não para as melhores, mas às piores soluções" e usou o próprio exemplo, como líder do PT na Câmara durante o primeiro mandato de FHC e o processo de privatizações, em que petistas e movimentos sociais fizeram oposição radical à venda de ativos estatais para a iniciativa privada. "Como toda dicotomia, toda falta de diálogo, acredito que fizemos o que era necessário, mas não fizemos da melhor forma para a sociedade brasileira", afirmou. Para Wagner, aquele processo poderia ter "rendido mais" para a economia e a sociedade brasileiras.

"Fizemos como certo errado, como vermelho e branco, e a democracia é mais inteligente que isso, é degradé", afirmou o ministro. "Acredito que este é o chamamento maior que podemos fazer. As ideias sobre economia têm que continuar sendo debatidas, com foi ao longo dos últimos 40 anos." 

Em entrevista ao Estado publicada no sábado, FHC também afirmou, ao comentar as memórias registradas no livro Diários da Presidência, a ser lançado nesta quinta-feira, 29, que o PSDB não deve atuar na oposição da forma como o PT enfrentou as gestões tucanas, entre 1995 e 2002.

Em relação à crise econômica e ao lento processo de aprovação de medidas no Congresso para ajustar as contas do governo, Wagner afirmou que o governo tem feito o possível para sair da crise. "Estamos numa marcha mais lenta do que gostaria, é verdade, mas segura, para votar o que é importante no Congresso para a retomada da economia", disse o ministro. De acordo com Wagner, a crise deste ano não aponta para nenhuma catástrofe , mas para um momento de dificuldade, principalmente na área fiscal. Ele acrescentou ainda que a dificuldade "mais dura" é a política. O evento conta ainda com as presenças do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), do ex-ministro Delfim Netto (PMDB), do economista Luiz Gonzaga Belluzzo e da executiva Luiza Helena Trajano.

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