''Washington Post'' fecha escritórios

Jornal sucumbe à crise e concentra cobertura na capital americana

Agências internacionais, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

O jornal The Washington Post anunciou ontem o fechamento de três de seus escritórios nos Estados Unidos, em uma tentativa de atenuar os efeitos da crise econômica sobre suas finanças. Em seu site na internet, o diário informou que a medida afetará seis de seus correspondentes em Nova York, Los Angeles e Chicago, que serão alocados em novos postos na capital americana.

A medida foi anunciada após quatro rodadas de reduções de pessoal e da combinação e redução das seções do diário. Em um comunicado dirigido aos funcionários, o editor executivo do jornal, Marcus Brauchli, disse que o periódico precisou concentrar seu "poder de fogo jornalístico" em sua missão central de cobrir a capital do país. "O fato é que podemos cobrir efetivamente o resto do país desde Washington D.C.", acrescentou o executivo.

O grupo que edita o diário, The Post Co., e que inclui outras publicações, como a revista Newsweek, teve perdas de US$ 166,7 milhões nos três primeiros trimestres deste ano, assinalou o anúncio na internet. O problema ficou evidente para os leitores nos últimos meses, com a redução no número de páginas do jornal.

No terceiro trimestre, a companhia elevou em 69% sua receita, em boa parte por causa das medidas de corte de custos. No marco de seu plano de austeridade, forçada por seus problemas econômicos, o jornal já tinha fechado seus escritórios em Austin (Texas), Denver (Colorado) e Miami (Flórida).

WATERGATE

Com circulação de mais de 582 mil exemplares, o Post é o quinto diário mais lido dos Estados Unidos em dias úteis, de acordo com o Audit Bureau of Circulations. Aos domingos, é o terceiro jornal mais lido, com vendas de 822 mil exemplares.

Diferentemente de outros grandes concorrentes, como Wall Street Journal e The New York Times, sua distribuição é em boa parte limitada à região metropolitana de Washington.Mesmo com essa limitação, é considerado uma das publicações mais importantes e influentes dos EUA. Ganhou também grande prestígio internacional na década de 70, com a cobertura do caso Watergate, que acabou provocando a renúncia do presidente Richard Nixon.

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