Windows causa 'blecaute' em tela de usuário de software pirata

Mecanismo atinge usuários chineses e foi reprovado por mais de 70% dos usuários do País

The New York Times, Mark Magnier

29 de outubro de 2008 | 21h14

A Microsoft está tentando incomodar usuários chineses até que eles comprem cópias originais do Windows.   A gigante ganhou críticas de autoridades em direitos autorais e vaias dos consumidores por causa de seu novo método anti-pirataria: se uma cópia pirata do Windows é detectada, a tela do PC escurece.   Os usuários podem fazer a tela voltar ao normal, mas dali a 60 minutos o processo se repetirá, com a mensagem: pode pode estar sendo vítima de software pirata.   A iniciativa 'Windows Genuine Advantage', que começou em 2005 para lutar contra a pirataria, vai mais longe na China do que em qualquer outro lugar. A Microsoft afirmou que quer proteger sua propriedade intelectual e ajudar os usuários a evitar ataques de vírus.   Mas o programa deixou muita gente insatisfeita num mercado em que o software pirata está difundido. Yan Xiaohong, vice diretor da Administração Nacional de Direitos Autorais da China, falou à agência de notícias News China nesta segunda que sua agência apóia esforços das empresas para se proteger contra pirataria, mas questionou a abordagem da Microsoft.   "Se o método do 'blecaute' deve ou não ser usado, é discutível", disse Yan. "Medidas para preservar direitos autorais devem também ser apropriadas."   Alguns usuários de computadores disseram que apreciam que seu governo proteja seus interesses, mas não estavam preocupados com o inconveniente. Diversos 'fixes', programas que anulam o mecanismo da Microsft, foram lançados, incluindo um chama '360 Guard', que permite ao usuário filtrar as atualizações da Microsoft e não instalar aquelas que não sejam compatíveis com software pirata.   "Não importa o quão rigorosas forem as medidas anti-pirataria, os usuários chineses vão encontrar um jeito de burlá-las", disse Yang Fangzhou, de 25 anos, um corretor de seguros da província de Fujian. "A maior parte das pessoas não quer gastar dinheiro e não tem restrições morais quanto a usar software pirata."   Pesquisas recentes feitas em portais chineses descobriu que a maioria dos pesquisados usa cópias piratas do Windows XP e Vista, e mais de 70% reprovou o Windows Genuine Advantage.   Na última semana, o promotor de Pequim, Dong Zhenqwei, enviou uma reclamação ao Ministério da Segurança Pública chinês pedindo que a polícia cobre da Microsoft pelos danos econômicos e pelo inconveniente coletivo. Ele descreveu o programa como um "ataque do tipo hacker" que infringia a privacidade do usuário sem sua permissão.   Estima-se que 82% dos softwares usados na China sejam piratas, de acordo com o grupo de indústrias Business Software Alliance, comparado à 20% nos EUA.   "Acho que a Microsoft está fazendo a coisa certa para proteger seus direitos", disse Su Wei, um consultor do Estado de 31 anos, antes de admitir que ele mesmo jamais tinha comprado software original e provavelmente não comprará. "O risco é pequeno, e você pode baixar de graça", disse.   A Microsoft tentou diversas estratégias para inibir a pirataria na China, incluindo distribuir software nas escolas e nos escritórios do governo, na esperança de criar uma base legítima, e ofereceu descontos a usuários de produtos piradas que mudassem.   Críticos chineses, contudo, argumentam que parte tão importante da economia chinesa, como a indústria de informática, não deveria estar nas mãos do EUA. Eles também reclamam que a Microsoft cobra muito caro num País que ainda tem tanta pobreza.   Um Windows original custa cerca de US$ 140 na China, enquanto a cópia pirata sai por alguns dólares.

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