WWF: não há 'interesse político' em parar desmatamento

Diretor da ONG diz que o governo não quer saber quem são os maiores responsáveis pela devastação

FELIPE WERNECK, Agencia Estado

12 de fevereiro de 2008 | 19h08

O diretor de Política para a Amazônia da organização não-governamental (ONG) de conservação da natureza WWF, Pedro Bara Neto, afirmou que o governo federal "não tem interesse político" de enfrentar o desmatamento da floresta. Segundo ele, a regularização fundiária é uma medida "óbvia" que não avança porque áreas pertenceriam a políticos e juízes.   "Afinal, quem desmatou? Não vamos saber porque pode ser juiz, pode ser deputado. Aí, baixaram a bola do levantamento fundiário. Existe um nó político nessa história", disse ele, em palestra no Rio.   "A primeira coisa é saber de quem é a terra. (O governo) Precisa pegar as coisas mais difíceis e fazer, e não ficar sonhando. Até os bispos já disseram que o mais importante é a regularização fundiária. Mas eles se reúnem com ONGs para fazer pirotecnia como o desmatamento zero. E ninguém deu bola para a proposta dos bispos de regularização fundiária", afirmou Bara Neto. Ele se referia à campanha do ano passado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo tema era Fraternidade e Amazônia.   O ambientalista disse compreender que para o governo federal "é melhor continuar discutindo o cartão corporativo, porque ocupa a agenda, do que coisas mais importantes como o desmatamento".   "Agora, o bagre é o cartão corporativo", declarou Bara Neto, em referência à polêmica declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os bagres do Rio Madeira, ameaçados pela construção de usinas hidrelétricas.

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