Gabriela Bio/Estadão
Gabriela Bio/Estadão

X-9 Paulistana faz exaltação à chuva no Anhembi

Última a desfilar no Grupo Especial de São Paulo, escola trouxe samba inspirado em tempestade que caiu durante desfile de 2014

MARCIA CRISTINA DA SILVA, Estadão Conteúdo

15 Fevereiro 2015 | 06h20

Com o enredo "Sambando na chuva, num pé d''água ou na garoa. Sou a X-9 numa boa", a X-9 Paulistana, do carnavalesco André Machado, fechou os desfiles do carnaval paulistano na madrugada deste domingo, 15, com uma exaltação à chuva no Sambódromo do Anhembi. A tempestade que caiu durante o desfile da escola no ano passado serviu de inspiração para o samba deste ano.

A escola da zona norte de São Paulo, entrou no sambódromo com o cronômetro já marcando seis minutos. A agremiação mostrou as consequências da chuva - ou da falta dela, explorando a temática de que, ao mesmo tempo em que é necessária para a sobrevivência dos homens e dos animais, também pode causar estragos, enchentes, desmoronamentos. Outros destaques do enredo são a arca de Noé, a dança da chuva dos índios Pataxó e a seca no sertão nordestino.

Com seus 2.800 componentes, a X-9 evocou Orixás que têm relação com a chuva, como Oxum, dos rios; Xangô, dos trovões; além de São José, santo solicitado para fazer chover no sertão. Mas nem só de milagre viveu a escola. A X-9 apostou na conscientização: uma das alegorias, ornamentada com duas toneladas de lixo, lembrou que é preciso fazer o descarte correto para evitar enchentes na cidade.

Gracyanne Barbosa foi a rainha da bateria comandada pelo mestre Adamastor. O cantor Belo foi outro destaque da agremiação, que já foi campeã do carnaval paulistano em 1997 e 2002. Em 2014, a X-9 terminou em 11º lugar no Grupo Especial, com enredo "Insano: Uma Viagem Pelos Confins da Imaginação".

Confira o samba-enredo da X-9:

No céu, nuvens se espalham pelo ar

Cigarras cantam pra te anunciar

Oh chuva, tu és a minha inspiração

Foi dilúvio e destruição, a Arca de Noé a salvação

Lendas, rezas, rituais, uma dança que atrai

Um lindo véu sagrado

A fonte que dá vida ao meu Carnaval

Vento forte a soprar...Oiá

Oxum, Nanã e Xangô...Salve os Orixás

Num arco íris de luz, vem Oxumarê

Para nos banhar com o seu axé

Meu São José, o sertanejo clama em oração

Que venha desaguar no meu sertão

Florescendo esse chão

És divinal! No dia a dia é essencial

A consciência está

Em alertar pra não faltar

Nos contos imortais, a sorte dos casais

"Cantando na chuva" de prata que cai

De alma lavada

Jogo confete e serpentina pelo ar

Quarenta anos, hoje vou comemorar

Pra sempre vou te amar

Deixa chover, deixa molhar

A nossa festa não tem hora pra acabar

Eu quero ver você sambar

Com a X-9 até o dia clarear

Mais conteúdo sobre:
Carnaval X-9 Paulistana

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.