Yahoo fecha parceria com Google e rejeita proposta da Microsoft

O Yahoo anunciou na quinta-feira um acordo para permitir que o arqui-rival Google venda anúncios em suas páginas, e no mesmo dia deu por encerradas as negociações que poderiam levar a uma fusão com a Microsoft. As ações do Yahoo caíram 10 por cento, porque o final de dois meses de intermitentes negociações com a Microsoft aumenta a pressão para que a empresa encontre uma alternativa. A empresa disse que a parceria com o Google para a colocação de anúncios nas páginas de busca pode gerar um faturamento anual de 800 milhões de dólares, sendo que só no primeiro ano o valor seria de 250-450 milhões. O acordo prevê que os anúncios do Google e do Yahoo vão "competir" numa espécie de leilão, o que deve tornar a parceria mais palatável às agências reguladoras. "O Yahoo está sendo um revendedor do Google sempre que fizer sentido, e isso deve ocorrer muitas vezes, já que as buscas patrocinadas no Google já se mostraram muito mais eficazes", disse o analista Martin Pyykkonen, da Global Crown Capital. Mas mesmo assim o acordo pode despertar acusações de concorrência desleal, e o democrata Herb Kohl, presidente de uma subcomissão antitruste do Senado dos EUA, já anunciou que vai investigá-lo. Na outra negociação, a Microsoft chegou a oferecer no começo de maio 33 dólares por ação do Yahoo, o que daria um total de 47,5 bilhões de dólares pela empresa, uma das pioneiras das buscas pela Internet. A última oferta estabelecia a compra da operação de busca do Yahoo e o pagamento de 35 dólares por ação numa participação de 16 por cento do Yahoo, segundo duas pessoas que tiveram acesso aos termos. Essa oferta, segundo a empresa, não se encaixava em seus planos de conciliar as atividades de busca e publicidade. Após o fracasso da negociação, as ações do Yahoo caíram a 23,52 dólares na Bolsa eletrônica Nasdaq. Com a divulgação do acordo com o Google, elas subiram para 24 dólares. A Microsoft apostava num acordo com o Yahoo para melhorar sua inserção no mercado publicitário da Web e concorrer com o Google. O Yahoo disse na quinta-feira que, numa reunião no último dia 8, a empresa de Bill Gates informou não estar mais interessada em simplesmente comprar o Yahoo, mesmo pelos 33 dólares por ação previamente oferecidos. Muitos acionistas do Yahoo, como o bilionário investidor Carl Icahn, pressionavam a direção a aceitar o acordo com a Microsoft. Icahn chegou a pedir a demissão do executivo-chefe Jerry Yang. As ações da Microsoft subiram mais de 4 por cento, num sinal de alívio dos investidores ao verem que a empresa não está disposta a pagar caro demais num negócio que muitos acham arriscado. (Reportagem adicional de Eric Auchard em San Francisco)

MICHELE GERSHBERG E ANU, REUTERS

12 Junho 2008 | 21h28

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