Zimbábue demite banqueiros e crise se agrava

O banco central do Zimbábue demitiu executivos de quatro bancos acusados de fazer câmbio ilegal de moeda estrangeira, informou neste sábado a imprensa estatal, enquanto aumentam as críticas internacionais ao governo do presidente Robert Mugabe. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez duras críticas a Mugabe, dizendo que o mundo deve dizer ao ditador de 84 anos que "basta é basta". Ele pediu uma ação internacional coordenada para ajudar Zimbábue a superar a falta de comida e a epidemia de cólera. A nação do sul da África, isolada dos países ocidentais sob o regime autoritário de Mugabe, está à beira de um colapso. Os estoques de alimentos estão acabando, a inflação oficial está em 231 milhões por cento e a epidemia de cólera matou 575 pessoas e deixou quase 13 mil doentes. O Banco da Reserva do Zimbábue não consegue imprimir cédulas de dinheiro em quantidade suficiente para lidar com o aumento dos preços, que dobram a cada 24 horas, e tentou erradicar um próspero mercado negro de dólares norte-americanos e moedas de outros países. Nesta semana, a instituição demitiu chefes-executivos e importantes gerentes de quatro bancos, informou a mídia estatal, dizendo que eles desviaram grandes quantias de dólares zimbabuanos para o mercado negro antes de as notas serem colocadas em circulação. "Isso é criminoso, porque o dinheiro ainda não era moeda corrente e foi liberado", disse o chefe do banco central, Gideon Gono, ao jornal The Herald, acrescentando que os executivos enfrentariam processos na Justiça. Referindo-se a informações anteriores da imprensa de que o próprio banco central havia comprado dinheiro estrangeiro do mercado negro, Gono disse: "Estamos fartos e cansados de sermos trapaceiros oficiais." Os zimbabuanos têm mostrado cada vez mais desaprovação quanto ao fracasso do governo em conter a crise. Muitos são forçados a fazer filas do lado de fora dos bancos por horas para tentar obter escassas cédulas, com quantias que frequentemente não são suficientes nem para comprar um pão. As tensões aumentaram na capital Harare na semana passada, quando multidões e a polícia entraram em confronto com grupos de soldados desarmados que apanharam dinheiro de negociadores de moedas estrangeiras e lojas. Ativistas do sindicato trabalhista também tomaram as ruas em protesto contra a crise.

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