Zona Azul Vertical terá vagas mais caras no centro expandido

Garagens não terão limite de tempo, contarão com segurança, comércio, serviços e funcionarão 24 horas

Cristiane Bomfim, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Estacionar de graça nas ruas do centro expandido de São Paulo vai ficar mais difícil em 2010. A Prefeitura pretende ampliar de 34,5 mil para 60 mil o número de vagas de estacionamento regulamentado na capital. O projeto de Zona Azul Vertical, adiantado em abril pelo Estado, foi oficialmente lançado ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). As novas vagas custarão mais caro que as já existentes nas ruas, mas funcionarão 24 horas, terão segurança garantida e poderão agregar serviços - a exemplo do que se vê em terminais de ônibus e metrô. Mas, ao contrário do que se previa inicialmente, a implementação dependerá em grande parte do interesse do setor privado.

A proposta combina a criação de 64 garagens verticais administradas por empresas particulares com o aumento de vias em que será cobrada a tarifa e com a redução de pontos em vias saturadas. Tudo isso para "liberar as ruas para o tráfego de veículos", de acordo com o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes. Hoje deve ser publicado o edital para a escolha das empresas que deverão construir e administrar as garagens verticais. A Prefeitura dividiu a cidade em dez lotes principais - onde há maior circulação de veículos e déficit de vagas - e definiu o número de vagas e garagens que deverão ser construídas. O processo de seleção deve durar 90 dias.

Após assinatura do contrato, os investidores escolhidos poderão explorar a Zona Azul do lote, ou seja a tarifa arrecadada passa a ficar nas mãos das empresas. Em contrapartida, devem criar as garagens verticais ou ainda subterrâneas. Assim que assumirem, deverão ser 34 - outras serão feitas de acordo com a necessidade.

A Zona Azul paga pelos paulistanos nesses estacionamentos, porém, deverá ser mais cara. "A proporção será uma vez e meia a mais para quem ficar na garagem, em comparação com quem tiver o carro na rua, na Zona Azul", explicou Kassab. Para compensar, o usuário também não precisará retirar o carro após um determinado período de tempo, como ocorre nas ruas.

Moraes afirma que o projeto vai melhorar o tráfego na capital. "O principal ponto é evitar que quem hoje vem para o centro e para áreas completamente saturadas, como a Vila Olímpia (bairro da zona sul), fique o dia inteiro com os carros estacionados nas vias, atrapalhando a fluidez do trânsito." Ele promete que 28 mil vagas serão transferidas das vias onde o trânsito é complicado para as garagens verticais. "A partir disso, vamos criar outras vagas (com tarifa de Zona Azul) onde hoje se pode parar livremente nos dois lados da rua. Essas ruas são a de movimento menos intenso."

LOCAIS

O secretário explica que os locais de construção das garagens também serão definidos pelas empresas, mas a intenção é que eles fiquem próximo das estações de metrô e trem e dos terminais de ônibus. Em abril, porém, durante um seminário na Escola Superior do Ministério Público, Moraes havia dito que a Prefeitura já tinha as áreas prováveis para o serviço, principalmente ao longo da Linha 3-Vermelha (Corinthians-Itaquera/Palmeiras-Barra Funda) do Metrô. Toda a operação seria feita em parceria público-privada (PPP).

Definiu-se agora que as empresas escolhidas terão concessão do serviço por 30 anos. Após esse período, as garagens deverão ser entregues ao Município. As empresas terão ainda a possibilidade de criar nos espaços áreas de serviço e de comércio. Especialistas, porém, veem dificuldades de investimento nessa proposta (mais informações nesta página).

A contrapartida das empresas, segundo Alexandre de Moraes, será o repasse de um porcentual - com valor ainda não definido - da quantia arrecadado com a Zona Azul. Antes disso, as empresas deverão pagar uma outorga onerosa para provar que podem arcar com as obras. "Pode ser em dinheiro ou uma valorização urbanística na região", adianta o secretário.

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