3 juízes substituirão magistrada morta

Trio formará força tarefa para estudar os casos que estavam com Patrícia Acioli; plano é checar se há envolvimento entre réus e crime

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

 Uma força tarefa formada por três juízes assume hoje a 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde atuava a juíza Patrícia Lourival Acioli, executada com 21 tiros na noite de quinta-feira em Niterói. Magistrados farão levantamento dos casos que estavam sob responsabilidade da juíza para avaliar possíveis ligações entre réus dos processos e o assassinato.

Mas o trio não deverá dar prosseguimento aos processos. Para isso, seria necessário pedir vistas antes dos julgamentos. Os trabalhos no Fórum de São Gonçalo deverão contar com forte esquema de segurança, mas funcionários acham que nenhuma audiência será feita nesta semana.

O grupo vai levantar detalhes de todos os casos para o cruzamento dos dados com pistas reunidas pela polícia em torno dos suspeitos. Estava prevista para esta semana sessão de júri de um policial militar acusado de envolvimento com uma milícia que atuava em São Gonçalo.

Ontem, a mãe de um homem morto em São Gonçalo revelou, em entrevista ao Fantástico, que entregou à juíza informações coletadas enquanto investigava o assassinato do filho. Entre os criminosos, estaria um homem que atuava como informante de policiais e que cometia assassinatos a pedido deles. Protegida por áudio distorcido, a testemunha disse que em 11 de agosto, véspera da morte de Patrícia, foi intimada a participar do julgamento de três policiais que estariam ligados ao grupo de extermínio.

As investigações convergem para a hipótese de que a juíza tenha sido morta a mando de réus ou condenados por ela. A possibilidade de crime passional - o namorado dela, o PM Marcelo Poubel, a teria agredido fisicamente ao menos duas vezes -, não está descartada oficialmente, mas é cada vez mais improvável.

Ontem, equipes da Divisão de Homicídios, chefiadas pelo delegado Felipe Ettore, fizeram novas diligências em Niterói e São Gonçalo. Até então, 20 pessoas já haviam prestado depoimento.

Na tarde de sábado, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Nelson Calandra, deixou escapar, antes de se reunir com o titular da DH e a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, que a lista de suspeitos já teria 12 nomes. Mas a informação não foi confirmada.

Protestos. A ONG Rio do Paz, que promoveu protesto na Praia de Icaraí, em Niterói, sábado, volta a comandar manifestação hoje, a partir das 11h30, na frente do Fórum de São Gonçalo. A juíza era conhecida pelo rigor adotado nas condenações de réus, policiais ou não, envolvidos em milícias e grupos de extermínio.

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