A alta dos preços das commodities e o câmbio

O fluxo cambial ao longo do ano passado produziu um saldo confortável de US$ 65,279 bilhões, superior em 168% ao de 2010 e menor apenas do que o resultado de 2007, de US$ 87,4 bilhões.

O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 03h07

No entanto, no ano passado houve uma grande mudança nos fatores que possibilitaram esse resultado cambial.

Antes é preciso lembrar que os dados do fluxo cambial são diferentes, no que toca às operações, dos que aparecem na balança comercial, pelo fato de que tanto as exportações quanto as importações podem ser financiadas. O saldo do fluxo representa, pois, a entrada ou a saída efetiva de divisas no País.

As receitas de exportações comerciais ou de serviços chegaram a US$ 251,185 bilhões em 2011. Trata-se do melhor resultado registrado desde que se dispõe dessas estatísticas, ou seja, desde o ano 2000, impulsionado pela alta de preço das commodities gerada pela forte demanda da China, tanto de minério quanto de produtos agrícolas.

Não foi divulgado ainda o montante das operações de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) para pagamento dessas exportações, mas, com os dados até outubro, vê-se que aumentaram 46,1% em relação ao mesmo período de 2010, representando 21,2% do total exportado, e lembrando que, com a crise nos países ricos, o Brasil também encontrou dificuldades para financiar suas exportações.

As importações consumiram um fluxo cambial de US$ 207,236 bilhões, um recorde que também revela, em grande parte, o recuo da indústria nacional em atender ao mercado interno, seja por atraso tecnológico, seja por preço muito superior ao dos importados.

O movimento nos dois sentidos deixou um saldo comercial de US$ 43,9 bilhões, apesar do crescimento das importações.

A conta financeira foi menos positiva, em razão das dificuldades do mercado internacional.

As entradas de recursos somaram no ano passado US$ 393,997 bilhões, com aumento de 4,4%, incluindo a compra de ações e títulos de renda fixa, mas as saídas cresceram mais, 5,7%, e o saldo ficou 18% menor do que em 2010.

Convém notar, no entanto, que o quadro foi muito mais confortável do que no período de 2001 até 20o8, quando os resultados eram negativos. O Brasil tem, atualmente, uma relação muito melhor com o mercado internacional do que naquele período, graças ao panorama mais saudável das suas finanças públicas.

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