Aliados de Cristina buscam motivos para derrota

Presidente argentina não aparece em público desde o fim da campanha para as primárias

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h05

Aliados da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fizeram ontem uma série de críticas sobre a derrota que o governo sofreu no domingo nas eleições primárias disputadas no país, quando os eleitores argentinos deram aos pré-candidatos kirchneristas 26% dos votos, seu pior desempenho em uma década.

Sem sutilezas, o ex-prefeito da cidade de José C. Paz Mario Ishii, um dos chamados "barões da Grande Buenos Aires" - denominação dos caudilhos municipais que controlam as áreas operárias ao redor da capital argentina - declarou que o resultado das urnas constituiu "uma enorme surra".

"Estamos perante um problema governamental federal. As pessoas estão zangadas atualmente", disse. Ishii afirmou que o volume de votos destinados ao novo inimigo do governo, Sergio Massa, da Frente Renovadora (grupo que reúne peronistas dissidentes), foi "muito grande".

Chefe do gabinete de Cristina entre 2008 e 2009, Massa passou para a oposição no início deste ano. Pré-candidato a deputado na Província de Buenos Aires, o político obteve 35% dos votos, enquanto que o preferido da presidente, Martín Insaurralde, obteve 29%. A região de Buenos Aires concentra quase 38% do eleitorado do país. É considerada crucial para definir uma eleição argentina.

Vários prefeitos da Grande Buenos Aires começaram ontem a flertar com Massa, que, segundo analistas, desponta como possível presidenciável do peronismo dissidente em 2015.

Extraoficialmente, prefeitos e governadores kirchneristas criticam Cristina pela derrota eleitoral e indicam que os 76% obtidos pela oposição, mais do que mérito dos inimigos do governo, são um castigo contra a presidente.

Reclusa. Desde o anúncio do resultado da votação, após fazer um breve discurso, na noite do domingo, até ontem, Cristina não foi vista fora da residência presidencial. Em sua última fala, no Hotel Intercontinental - bunker da campanha kirchnerista -, Cristina convocou sua militância a intensificar esforços para as eleições parlamentares de outubro. Cristina não fez nenhuma referência à derrota, nem autocríticas.

Na Quinta Presidencial de Olivos desde então, Cristina não apareceu nem no Twitter, microblog da qual se tornou entusiasta.

A ausência da presidente foi embalada por rumores sobre mudanças em seu gabinete. Cristina deverá reaparecerá em público hoje, durante uma cerimônia em Tecnópolis, onde está instalada uma exposição permanente sobre tecnologia argentina.

Mercado. Nos dois dias seguintes à derrota de Cristina, a Bolsa de Buenos Aires registrou elevações. Ontem, o pregão encerrou com uma alta de 2,2%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.