Amazon chega ao País com serviço de hospedagem

Com centros de dados e equipe em São Paulo, empresa passa a hospedar sites e aplicações de empresas

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h07

Finalmente a Amazon desembarcou no Brasil. Mas não foi com a loja online, como muita gente esperava. A empresa anuncia hoje sua operação local da Amazon Web Services (AWS), seus serviços de computação em nuvem. Mesmo antes de instalar os centros de dados no País, a Amazon já hospeda grandes clientes brasileiros, como a Gol Transportes Aéreos e o Peixe Urbano.

No modelo de computação em nuvem, a infraestrutura de servidores, armazenamento e software é oferecida às empresas como serviço. Quando a internet aparece no desenho de esquemas de redes de computadores, ela é representada pela imagem de uma nuvem, pois não existe como desenhar todos os servidores e todas as conexões que formam a rede mundial. Daí o nome computação em nuvem.

"Estamos muito animados", disse Andy Jassy, vice-presidente sênior da AWS. "Faz bastante tempo que queremos estar aqui." Segundo ele, a empresa começou a contratar pessoas no País, para formar sua equipe local, há cerca de um ano. Apesar do entusiasmo, Jassy não divulgou detalhes da operação, como investimento, tamanho e localização dos data centers ou quantas pessoas têm no Brasil.

A opção de hospedagem em São Paulo está disponível desde hoje. O objetivo é atender, a partir do Brasil, toda a América do Sul. Segundo Jassy, haverá duas diferenças principais para os clientes brasileiros, a partir da operação local.

Em primeiro lugar, a redução da latência, que são os milissegundos que demora para se carregar uma página ou receber alguma informação via internet.

Em segundo, existem clientes potenciais, como bancos, governos e seguradoras, que, por motivos regulatórios, não podem ter seus dados hospedados no exterior. Com a operação local, a Amazon espera começar a conquistar esses clientes.

Presença. A AWS foi criada com o objetivo de otimizar o uso da infraestrutura tecnológica da Amazon, oferecendo para terceiros serviços de hospedagem e armazenamento com a mesma qualidade desfrutada pelo site de varejo.

Mas a chegada dos serviços em nuvem da Amazon no Brasil significa que o braço de varejo também está desembarcando por aqui? Jassy negou que seja esse o caso. "Quando a AWS foi criada, resolvemos utilizar todo o conhecimento que geramos para manter a Amazon no ar para entrar em um mercado de margens maiores", disse. "As margens do varejo são bem apertadas."

Para o executivo, essa origem no varejo dá à AWS uma vantagem sobre concorrentes que são fornecedores tradicionais do mercado de tecnologia da informação. "A ênfase dos fornecedores tradicionais em projetos de nuvem privada vem da busca deles de manter a margem, que é maior no modelo tradicional", disse. "Acredito que a computação em nuvem é um mercado de grandes volumes e margem baixa, e estamos acostumados com isso." Nuvem privada é quando as empresas aplicam tecnologia de computação em nuvem a seus próprios servidores.

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