Com novo curso de Engenharia da Computação, Poli vai à USP Leste

Reivindicação antiga da comunidade da zona leste da capital paulista, chegada de curso mais tradicional ao câmpus mais recente da Universidade de São Paulo é festejada; serão 50 novas vagas para uma das graduações mais concorridas da USP

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

08 de janeiro de 2013 | 02h05

A USP Leste terá um novo curso: Engenharia da Computação. A carreira, que deve ser oferecida já a partir do próximo vestibular, vai representar a chegada da Escola Politécnica à unidade, uma reivindicação constante da comunidade desde a inauguração do câmpus na zona leste da capital paulista.

O novo curso foi aprovado pela congregação da Poli no fim de dezembro, depois de mais de um ano de elaboração. Serão 50 vagas oferecidas no período diurno. "É um sonho da sociedade a comunidade da zona leste ter um curso de Engenharia de escola pública na região", afirma o diretor da USP Leste, Jorge Boueri.

A aprovação de um novo curso precisa passar pelo crivo do Conselho Universitário, instância máxima da USP. Para ser incluído no próximo vestibular e ter os primeiros alunos em 2014, o curso precisa obter a aprovação até maio. De acordo com a reitoria da universidade, ainda não há um calendário para as reuniões do conselho.

Essa unidade da Universidade de São Paulo (USP) passa a abrigar a partir do próximo ano duas escolas: a Poli e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), que já oferece dez cursos de graduação. Os novos alunos de Engenharia da USP Leste, portanto, estarão vinculados à Poli e não farão o ciclo básico da EACH (conjunto de matérias comuns que os ingressantes de todos os cursos fazem).

Regra. Quando foi criada, em 2005, a USP Leste sofreu críticas por não oferecer cursos tradicionais, como Engenharia, Administração e Direito, que atenderiam às demandas da população local. O argumento era de que as regras da universidade impediam que o mesmo curso fosse oferecido por duas unidades na mesma cidade. Mas a decisão também foi vista como um modo de apressar a abertura da unidade para servir de bandeira eleitoral do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição de 2006.

Engenharia da Computação já é oferecida no câmpus do Butantã e tem concorrência de 61,62 candidatos por vaga - são 60 -, uma das maiores da universidade. Mas como será a própria Poli, e não outra unidade, que o oferecerá na zona leste, não haverá impedimento.

Segundo Boueri, a USP vai trabalhar para que haja expansão de salas para abrigar o novo curso. Ele afirma, no entanto, que mesmo sem novas construções é possível abrigar novos alunos. "Serão todos bem-vindos, porque somos todos USP", diz.

Aluno do último semestre de Marketing da USP Leste, Gustavo Cesar Martins da Silva, de 22 anos, acredita que a chegada da Poli vai ser positiva para todos os cursos. "A USP Leste sempre teve a característica de integrar diferentes cursos. A Poli, uma das escolas mais tradicionais do País, vai trazer mais nomes para nossa unidade, que de vez em quando é até dissociada da USP", diz ele.

Um dos articuladores da presença da USP na região, Antonio Luiz Marchioni, mais conhecido como padre Ticão, afirma que o momento é histórico. "Foi uma grande vitória. A Poli dá novo fôlego à região. Nosso desejo é que outras unidades também venham." A USP Leste tem cerca de 6 mil alunos.

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