Site aponta farmácia com remédio barato

É possível pesquisar - por Estado, cidade ou bairro - mais de 15 mil preços de medicamentos

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 00h00

Até o fim do ano, os brasileiros terão gastado R$ 55 bilhões em medicamentos - uma média de despesa anual de R$ 337 por pessoa, aponta pesquisa do Ibope que avaliou a estimativa de consumo de remédios. Uma ferramenta, criada por cinco analistas de sistemas, ajuda a diminuir esse gasto. É o site Mais Preço, um buscador de preços de remédios criado especificamente para esse fim. O serviço é gratuito e não faz vendas.

No site é possível pesquisar mais de 15 mil preços de medicamentos e 200 mil ofertas distribuídas entre as principais redes de farmácias no País. Mesmo aquelas que não têm site de vendas aparecem na busca - basta a farmácia informar os preços de seus medicamentos para o Mais Preço.

"As pessoas não têm o costume de comprar medicamentos pela internet. A ideia é que elas façam a busca no site e comprem o remédio na própria loja, já sabendo que ali elas vão encontrar o menor preço", afirma Marcelo Santos, um dos sócios do Mais Preço.

Além de indicar o valor, o site reproduz a bula dos medicamentos, informa se existe similar ou genérico e se o produto participa do programa Farmácia Popular. É possível fazer a procura selecionando por Estado, cidade e bairro. Numa busca rápida, descobre-se que o preço do antibiótico amoxicilina com clavulinato de potássio varia de R$ 14,34 a R$ 77,77. O anti-inflamatório diclofenaco sódico é encontrado por valores que vão de R$ 6,36 a R$ 22,32.

A professora de inglês Maria da Conceição Abboud descobriu o site quando procurava medicamento mais barato para o seu filho, que tem a síndrome de Tourette, um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado pelo aparecimento de tiques. "É um remédio de uso contínuo, compramos três ou quatro caixas de uma vez, e às vezes temos de decidir qual conta não vamos pagar."

Conceição, que mora no Rio, chegou a achar a risperidona por R$ 12 numa farmácia de São Paulo, mas uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a compra de medicamentos controlados pela internet. "Não comprei o remédio do meu filho, mas passei a consultar o site cada vez que tenho de ir à farmácia."

Economia. Segundo a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico, o site ajudará o consumidor a achar sempre a melhor opção. Mas a entidade diz que o serviço não vai estimular os concorrentes a igualarem seus preços, já que a localidade dos estabelecimentos influenciará um consumidor que dificilmente comprará um remédio de outro Estado, por exemplo, só porque ele é R$ 2 mais barato.

O Estado comparou preços do Mais Preço com valores das drogarias e o serviço funciona bem. Mas, às vezes, não dá tempo de as empresas atualizarem a tabela com o site. O Tylenol Gotas 200 mg 15 ml, por exemplo, custa R$ 11,96 na Drogaria São Paulo, mas no site está R$ 10,90.

Consumidor. Para o gerente de comunicação do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos de Oliveira, sites como o Mais Preço ajudam o consumidor a exercer seu poder de compra, já que ele pode se recusar a comprar um item caso o ache mais em conta no concorrente. "Ferramentas para auxiliar o consumidor na busca de preços mais baixos são sempre bem-vindas. O País está muito caro, com diferenças de preços enormes para um mesmo produto ou serviço." / COLABOROU CAROLINA MARCELINO, DO JORNAL DA TARDE

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