Tesouro tem nova opção de investimento

Novo título prefixado, o NTN-F - 2025, substitui o NTN-F 2023, que sai de cena; papel tem taxa de correção fixada na hora da compra

Adriana Fernandes e Bernardo Caram, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2014 | 02h04

Os investidores do Tesouro Direto têm a partir de hoje novo cardápio de papéis para comprar pela internet. A principal novidade é a oferta do novo título prefixado, com taxa de correção fixada na hora da compra e prazo de vencimento em 2025. O NTN-F 2025 substituirá o NTN-F 2023, que agora sai de cena.

O Tesouro também tira hoje da grade de papéis a LTN (outro prefixado), com prazo de vencimento em 2017. No seu lugar, entra a LTN com vencimento de 2018.

No início de janeiro, as mudanças já foram introduzidas nos leilões semanais do Tesouro com acesso para os chamados investidores institucionais (bancos, fundos de investimento e entidades de previdência). No último leilão de venda da NTN-F 2025, referência para as taxas do Tesouro Direto, o papel foi vendido com taxa média de 13,19%.

As mudanças ocorrem num cenário de aumento do apetite dos investidores pelo Tesouro Direto, em decorrência da alta das taxas de juros dos papéis - o que garante maior rentabilidade para as aplicações. Em dezembro, as vendas bateram recorde, com alta de 31,8% sobre novembro e volume financeiro de R$ 413,85 milhões. Os títulos mais comprados foram os vinculados ao IPCA, com participação de 53,7% nas vendas.

 

O salto em setembro das taxas de juros dos papéis, que tiveram novo ajuste de alta em dezembro, ajudou a impulsionar as vendas do Tesouro Direto. O incremento das vendas também foi puxado porque em novembro venceram muitos títulos corrigidos pela inflação (as NTN-Bs) e atrelados à taxa Selic (LFTs).

"Essa de taxa juros mais alta atrai os investimentos. Quem tinha o dinheiro num fundo de DI resolve sacar e alocar numa taxa de juros mais alta", diz André Proite, gerente de relacionamento institucional do Tesouro. Para janeiro, a expectativa é de novo recorde. Há vencimentos expressivos dos papéis prefixados ofertados pelo Tesouro Direto. "Em janeiro, um caminhão de títulos vence e as pessoas procuram reinvestir esse dinheiro", diz Proite. Com a alta das taxas, diz, há um aumento do custo de oportunidade para os investidores.

"É momento bom para comprar títulos novamente, os papéis estão sendo ofertados com taxa de juros de 6,5% a 6,7% acima da inflação", avalia Proite. Em 2013, os investidores que tinha aplicações em papéis prefixados e vinculados à inflação tiveram perdas significativas no rendimento bruto. No caso da NTN-B - 2035 principal (que não paga cupom de juros semestrais), o rendimento bruto ficou negativo em 33,04%.

Resistências. Depois de 12 anos de funcionamento, o Tesouro Direto passa em 2014 por uma reavaliação. O programa nunca deixou de crescer desde a sua criação, mas o volume de 378,27 mil investidores cadastrados ainda é considerado muito pequeno para o tamanho do mercado brasileiro. O estoque de títulos do programa fechou o ano em R$ 11,38 bilhões, menos de 1% do total da dívida pública. Na Inglaterra, por exemplo, as vendas no varejo para pessoas físicas correspondem a 16% do total da dívida.

O Tesouro contratou uma empresa para fazer uma pesquisa de campo para buscar melhorias. A agora fase é de elaboração de novo planejamento estratégico para criar novos produtos e facilitar o acesso dos investidores. Um dos gargalos apontados pela pesquisa é a má distribuição dos produtos por bancos e corretoras, que são intermediários operacionais. "É muito raro encontrar quem critique os produtos, de custo muito baixo. Mas por que o programa não cresce mais? É preciso melhorar a distribuição", diz Poite.

Os bancos ainda têm resistências em oferecer o produto para os seus clientes. É o caso da Caixa Econômica Federal, por exemplo. Apesar de ser um estatal, não oferece todas as funcionalidades possíveis do programa aos correntistas.

Uma das ideias em estudo é criar incentivos para os bancos distribuírem o produto entre os seus clientes. "Queremos fazer que eles vejam mais interesse em distribuir". Segundo ele, os bancos hoje querem ser espécie de butique de investimentos (uma casa de multisserviços financeiros para os clientes) e o Tesouro Direto pode ser estratégico nessa política. "Os bancos querem oferecer um combo de serviços. E o banco que não oferece o Tesouro Direto fica negativo na concorrência", ressalta.

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