Brasil critica detenção de parceiro de Greenwald

Brasileiro, companheiro do jornalista que usou dados de Snowden para denunciar espionagem dos EUA, foi retido em Londres com base em lei antiterror

O Estado de S.Paulo,

18 de agosto de 2013 | 21h23

Laís Alegretti / BRASÍLIA

O governo do Brasil qualificou como uma “medida injustificável” a retenção do brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista americano Glenn Greenwald, por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres. Miranda foi detido e mantido incomunicável pelas autoridades britânicas neste domingo, 18, com base na lei de combate ao terrorismo do país europeu.

“Trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação”, afirmou o Itamaraty.O órgão declarou ainda que o governo brasileiro manifestou “grave preocupação” e espera “que incidentes como o registrado com o cidadão brasileiro não se repitam”.

Greenwald, colunista do jornal britânico The Guardian, é autor de diversas reportagens a respeito de programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês), com base em documentos fornecidos pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden, asilado na Rússia.

“Isso (a retenção de Miranda em Londres) é obviamente uma intensificação um tanto quanto profunda em seus ataques contra o processo de obtenção de informações e o jornalismo”, afirmou Greenwald em um post no site do Guardian. “Processar e perseguir fontes já é ruim. Aprisionar jornalistas que relatam a verdade é pior. Mas começar a deter parentes e entes queridos de jornalistas é simplesmente despótico”, declarou. Os dois se conheceram em 2004 no Rio, onde vivem.

Quando foi detido em Londres, Miranda voltava da Alemanha, onde havia se encontrado com uma cineasta que tem trabalhado com Greenwald.

No dia 6 de agosto, Greenwald esteve no Senado brasileiro e afirmou ter provas de que os americanos usam a internet para obter vantagens comerciais e tecnológicas. A afirmação foi contra o argumento do governo de Barack Obama de que a NSA usa a vigilância online somente para proteger seus cidadãos do terrorismo. No dia seguinte, uma autoridade do governo brasileiro disse ao Estado que, caso Greenwald solicitasse, o Brasil estaria disposto a dar proteção ao jornalista contra uma eventual pressão dos EUA e seus aliados.

Na avaliação do governo brasileiro, Greenwald não poderia retornar aos EUA sem enfrentar o risco de ser enquadrado pelo mesmo tribunal secreto que vem autorizando o monitoramento da NSA no território americano e no exterior. / COM AP

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