Stringer/Efe
Stringer/Efe

Corpo de segundo brasileiro morto em chacina no México é identificado

Traslado dos corpos dos dois imigrantes brasileiros assassinados deve ocorrer na próxima semana

Claudia Jardim, BBC

15 de setembro de 2010 | 22h21

O corpo do segundo brasileiro morto no massacre de 72 imigrantes em Tamaulipas, no nordeste do México, foi identificado nesta quarta-feira, 15.    

 

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O mineiro Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, foi identificado entre as outras vítimas assassinadas há quase um mês, quando tentavam cruzar a fronteira mexicana para os Estados Unidos.

O passaporte de Santos já havia sido achado pelas autoridades no local da chacina, onde foi encontrado o corpo do também mineiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos.

Os peritos, no entanto, levaram dias para comparar a impressão digital de Santos com as informações disponíveis nos documentos do rapaz.

Traslado

A identificação do brasileiro foi confirmada à BBC Brasil pela consulesa-adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss.

"O corpo dele foi achado junto com os corpos que ainda não tinham sido identificados pela perícia", afirmou Weiss.

A representação brasileira no México terá de esperar até segunda-feira, quando termina o feriado prolongado devido as comemorações do bicentenário da independência do país, para proceder com o traslado dos dois corpos.

De acordo com a consulesa-adjunta, não há outros brasileiros identificados entre as vítimas do massacre, um dos maiores na luta entre governo e os cartéis da droga.

O governo mexicano aponta o cartel Los Zetas como o principal suspeito da chacina, ocorrida no mês passado. Os 72 imigrantes teriam sido assassinados pelos traficantes por se recusarem a trabalhar para o grupo.

Sequestro

O grupo de 76 imigrantes sequestrado em 21 de agosto se negou a trabalhar como assassinos de aluguel para o grupo narcotraficante Zetas, razão pela qual teriam sido mortos, de acordo com testemunho de um dos sobreviventes da chacina.

As fotografias do local do massacre, uma fazenda próxima à fronteira, mostram que as vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas. Os imigrantes foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros.

Desde a chacina dos imigrantes latino-americanos, considerada uma das piores da história da guerra do narcotráfico no México, a violência na zona fronteiriça tem aumentado.

Dias após o assassinatos dos imigrantes, também foram assassinados o promotor que liderada a investigação sobre a chacina e o delegado que acompanhava o caso.

Em seis meses, cerca de 10 mil pessoas foram sequestradas no México, o equivalente a mais de 1,6 mil vítimas por mês, de acordo com um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH).  

 

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