EUA acusam Irã de intimidar inspetores da AIEA

Analistas da agência nuclear da ONU foram impedidos de entrar no país para realizar inspeção

estadão.com.br,

15 de setembro de 2010 | 13h06

Os EUA acusaram o Irã nesta quarta-feira, 15, de intimidar inspetores da ONU que investigam o programa nuclear do país. De acordo com o embaixador americano na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Glyn Davies, o órgão deve tomar as ações apropriadas.

Se o país romper as regras de como e o que a AIEA tem permissão de inspecionar, a diretoria da agência pode fazer uma denúncia formal ao Conselho de Segurança da ONU, que pode, a princípio, acarretar novas sanções ao Irã.

A polêmica começou após o Irã impedir a entrada de dois inspetores da agência no país. Os analistas indicaram à AIEA que Teerã desenvolvia um tipo de purificação de urânio usado em ogivas nucleares.

De acordo com o governo iraniano, os inspetores informaram dados incorretos à AIEA. Além disso, segundo a república islâmica, qualquer país tem o direito de aprovar inspetores do órgão.

Na segunda-feira, o diretor da AIEA, Yukia Amano, advertiu o Irã e disse que a decisão de barrar os inspetores prejudicam o monitoramento do programa nuclear. Na quarta, o chefe da delegação iraniana na agência, Ali Asghar Soltanieh acusou o diretor de 'fazer o jogo de alguns países'.

Teerã já sofreu quatro sanções do Conselho de Segurança por se recusar a interromper enriquecimento de urânio.

Entenda o impasse

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AEIA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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