EUA propõem mais três meses de moratória de assentamentos, diz jornal

Impasse sobre construções de colônias na Cisjordânia trava negociações de paz

estadão.com.br,

16 de setembro de 2010 | 08h41

  Abbas, Hillary e Bibi se reúnem em Jerusalém . Foto: Matty Stern/Efe-15/09/10

LONDRES - O jornal árabe baseado em Londres Asharq al-Awsat publicou nesta quinta-feira que os EUA sugeriram a israelenses e palestinos uma extensão de três meses na moratória na expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia.

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De acordo com o jornal londrino, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, teria concordado com a proposta americana. Netanyahu ainda teria de dar uma resposta.

Ainda segundo o Asharq al-Awsat, Netanyahu disse a Abbas ontem em Jerusalém que retomaria as construções no final do mês. O líder palestino respondeu que, desta maneira, se retiraria das negociações.

O gabinete do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, informou ao jornal Haaretz que a política do governo é não comentar o andamento das negociações diretas de paz, mas que a posição do primeiro-ministro sobre os assentamentos não mudou.

Impasse

O congelamento de dez meses na construção de colônias nos territórios ocupados acaba no próximo dia 26. Palestinos dizem que o fim da moratória irá acarretar o fim das negociações de paz.

Netanyahu enfrenta pressões de partidos ortodoxos de sua base de governo, como o Shas e os ultranacionalistas do Israel Beteynu, para retomar as construções.

Na segunda rodada de negociações de paz, iniciadas na terça-feira no Egito, os EUA começaram a trabalhar por uma prorrogação no congelamento. Ontem, o enviado dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que havia progresso na questão dos assentamentos.

Retomada

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisadas há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. No início de maio, porém, os lados anunciaram a retomada das conversas, embora nenhum progresso tenha sido feito até agora.

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

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