Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Maduro e Capriles se reúnem para discutir protestos na Venezuela

Com transmissão ao vivo pela TV, começa a primeira sessão de diálogo entre governo venezuelano e coalizão antichavista Mesa da Unidade Democrática

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial / Caracas, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2014 | 22h31

(Atualizada às 23h) CARACAS - A primeira rodada de diálogo entre governo e Mesa de Unidade Democrática (MUD) começou na quinta-feira, 10, com a acusação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de que a oposição cometeu erros de cálculo ao incentivar protestos violentos para derrubar a revolução bolivariana.

Nos primeiros 45 minutos, Maduro não deu chance para a oposição se manifestar. O presidente monopolizou o discurso inicial, que foi transmitido em cadeia de rádio e TV, mas comprometeu-se a debater com os adversários os erros "naturais e induzidos" de seu governo. O secretário executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, limitou-se a tomar nota, enquanto seus nove colegas da frente oposicionista não escondiam o tédio.

Por meio de carta, o papa Francisco pediu para que ambos os lados demonstrassem o "heroísmo do perdão e da misericórdia" e para ter "coragem" de superar o conflito. O núncio apostólico em Caracas, Aldo Giordano, e três chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), entre os quais o brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, atuaram como facilitadores do diálogo.

Enquanto Maduro fazia sua longa exposição inicial, cerca de 600 estudantes antichavistas seguiram em passeata pelas ruas de Caracas para protestar contra a negociação. Para eles, ao aceitar o diálogo antes de o governo cumprir com as precondições da oposição, a MUD agiu como "traidora" e "agente do regime".

Debate. Nesta quinta, durante as conversas, 22 pessoas, 11 de cada lado, teriam direito a discursar. Antes de começar, Maduro recomendou aos espectadores que se munissem de café. O presidente apresentou-se ao diálogo seguro de que, do lado da MUD, os partidos mais radicais não estariam presentes. O Ministério Público acusou o partido Vontade Popular (VP), liderado por Leopoldo López, de "grupo criminoso terrorista" por ter convocado as passeatas contra o governo nos últimos dois meses. O partido Tupamaro, ex-grupo guerrilheiro que faz parte da base do governo, também pediu ao Tribunal Supremo de Justiça a retirada do registro do VP no Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A MUD, porém, afirmou que a medida é uma sabotagem ao diálogo. Apesar de o VP pertencer a sua base, a intenção era isolar esse e outros dois partidos que pedem a renúncia de Maduro, para poder se engajar no diálogo com o governo.

Os três partidos (VP, Vente Venezuela e Aliança Bravo Povo) são contrários ao início do diálogo antes de o governo cumprir as exigências da MUD (entre elas, anistia de presos, desarme de paramilitares, combate à criminalidade e fim do racionamento de alimentos).

Por meio de nota, porém, a MUD defendeu a legitimidade do VP. A qualificação do partido como "estrutura criminosa", segundo a MUD, tem de ser retificada porque, ao transformar a militância partidária em delito, o Ministério Público toma um arriscado. "O VP é uma organização democrática que busca uma mudança no país de forma cívica, pacífica, democrática e constitucional", disse a MUD.

O VP recebeu a notícia como um "golpe à democracia, à liberdade e à Constituição" e convocou para sexta-feira uma "jornada nacional" em defesa de seu registro. O coordenador nacional do partido, deputado Juan Guaidó, disse que o protesto pacífico está garantido pela Constituição e o cancelamento do registro no CNE deixará sem legenda 100 mil eleitores. "Nosso delito maior foi ter dado a cara a tapa na defesa dos direitos dos venezuelanos que querem uma mudança", afirmou Guaidó.

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