Obama fará na ONU nova advertência ao Irã sobre questão nuclear

Presidente deve condicionar melhora de relações a esclarecimentos sobre programa atômico do país

Reuters e AP,

20 de setembro de 2010 | 21h48

WASHINGTON- O presidente Barack Obama irá dizer ao Irã que "as portas estão abertas" para melhores relações se o país conseguir demonstrar que seu programa nuclear tem fins pacíficos, informou a Casa Branca nesta segunda-feira, 20.

 

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Apesar da efetividade da quarta rodada de sanções ao país, o governante irá usar seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quinta para advertir o Irã sobre as consequências de seu programa de enriquecimento de urânio, se o país falhar em cumprir com suas obrigações internacionais.

 

"As portas estão abertas para que eles tenham uma relação melhor com os Estados Unidos e com a comunidade internacional", disse o vice-assessor de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes.

 

"No entanto, para entrar por essa porta, o Irã precisa demonstrar seu compromisso para provar o propósito pacífico de seu programa nuclear, e cumprir suas obrigações com a comunidade internacional", declarou Rhodes.

 

"As consequências que o Irã está enfrentando são maiores do que o país esperava em relação às sanções", completou o assessor.

 

Ontem, no entanto, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse em entrevista a agência Associated Press que as sanções não surtiram efeito sobre o país.

 

"Aqueles que insistem em ter hostilidades contra nós, destroem a opção de amizade no futuro, o que é triste porque está claro que o futuro pertence ao Irã e que inimizades serão infrutíferas - e as sanções, portanto, também não terão efeito (...). Se elas tivessem efeito, eu não estaria sentado aqui agora", afirmou.

 

Ahmadinejad não deu indicações de quando Teerã voltará a mesa de negociações para discutir o teor de seu programa nuclear e disse que qualquer sanção contra seu governo não teria efeito sobre as políticas do regime. O presidente também negou que seu governo tenha pretensões de construir a bomba atômica.

 

Impasse

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AEIA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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