Michael Reynolds/Efe
Michael Reynolds/Efe

Obama vai atacar desigualdade social em discurso ao Congresso

Trechos antecipados pela imprensa mostram que o presidente deve ser mais agressivo ao utilizar seus poderes executivos

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington,

28 de janeiro de 2014 | 22h04

WASHINGTON - Com um dos mais baixos índices de aprovação de seu governo e diante de eleições legislativas cruciais em novembro, o presidente Barack Obama desenhou seu discurso sobre o Estado da União desta terça-feira, 28, como uma agenda de apelo popular.

O texto defende medidas como a elevação do salário mínimo, a geração de empregos, o fortalecimento da classe média, o apoio à educação pré-escolar e superior e a ampliação de oportunidades numa sociedade marcada pela crescente desigualdade entre ricos e pobres.

Trechos do discurso, antecipados pela mídia americana mostram como Obama pretende pressionar o Congresso citando o problema da desigualdade social. "Nos próximos meses, vamos ver no que mais podemos progredir juntos. Vamos fazer desse um ano de ação. Isso é o que a maioria dos americanos quer - que todos nós nessa Casa (Parlamento) tenhamos como foco suas vidas, suas esperanças, suas aspirações. E o que eu acredito que une o povo dessa nação, independente de ração, região ou partido, se é velho ou novo, rico ou pobre, é a simples, profunda crença na oportunidade para todos - a noção que se você trabalhar duro e assumir suas responsabilidades, você pode ir em frente."

O discurso anual ao Congresso também deixa claro que Obama será mais agressivo na utilização de seus poderes executivos. Nos últimos 12 meses, o presidente viu quase todas as suas iniciativas legislativas naufragarem em razão da oposição republicana na Câmara, o que transformou 2013 no mais improdutivo ano da história do Parlamento americano.

Obama se diz preparado para usar sua caneta sempre que o Executivo puder agir em casos de omissão do Legislativo. "Hoje, depois de quatro anos de crescimento econômico, lucros corporativos e preços de estoque raramente estiveram tão altos - e os mais ricos nunca estiveram em melhor situação. Mas a média salarial se manteve a mesma. A desigualdade se aprofundou. A ascensão social empacou. O fato concreto é que mesmo em meio à recuperação, americanos demais estão trabalhando mais apenas para viver - apenas indo em frente. E muitos ainda nem estão trabalhando", dirá Obama, segundo outro trecho antecipado pela imprensa dos EUA.

Na sessão conjunta da Câmara e do Senado, Obama tornará pública sua primeira decisão do tipo, que envolve a elevação do salário mínimo pago aos empregados de empresas que prestam serviços ao governo federal - o valor passará de US$ 7,25 para US$ 10,10 por hora. Mas em uma demonstração dos limites nos quais o presidente pode agir, Obama pedirá ao Congresso que aprove aumento semelhante para os demais trabalhadores.

O presidente terá em 2014 o ano de maior crescimento e menor desemprego desde o início de seu governo, em 2009, quando assumiu o país sob o impacto devastador da crise financeira global. A Casa Branca quer aproveitar o momento para impulsionar a atividade econômica e promover a criação de empregos. Ao lado da caneta, Obama promete usar o telefone para mobilizar empresários e setores da sociedade em torno de seus objetivos.

 

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