Comunidade internacional condena revolta militar no Equador

Países e organizações expressam apoio a presidente Rafael Correa e discutirão soluções

Agência Estado

30 de setembro de 2010 | 14h50

QUITO - A comunidade internacional se mobilizou nesta quinta-feira, 30, para condenar a revolta dos militares no Equador, o que muitos líderes de governo chamaram de tentativa de golpe de Estado contra o presidente equatoriano, Rafael Correa. Órgãos regionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União das Nações Sul-americanas (Unasul), decidiram se reunir em caráter de urgência para discutir a situação.

 

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou seu "firme respaldo" ao governo do Equador e sua preocupação com a segurança pessoal de Rafael Correa.

 

A Casa Branca, por sua vez, manifestou completo apoio a Correa, e pediu um fim pacífico à crise.

 

O porta-voz do órgão mundial, Martin Nesirky, disse que Ban "está profundamente preocupado com os acontecimentos de hoje no Equador, entre eles os supostos atos de insubordinação de membros da polícia e das Forças Armadas.

 

O secretário-geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, expressou seu "firme compromisso e a mais absoluta solidariedade" com Correa. Kirchner lamentou "a tentativa de sublevação da ordem constitucional de setores corporativos das forças de segurança" e disse que "nenhuma nação sul-americana pode tolerar governos eleitos democraticamente que sejam ameaçados por setores que não querem perder privilégios".

 

O presidente peruano, Alan Garcia, disse que os chanceleres da Unasul viajarão ao Equador para mediar a crise. Ele disse ter tratado do assunto com a presidente argentina, Cristina Kirchner. Ele propôs uma reunião na cidade peruana de Piura, que faz fronteira com o Equador.

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o maior aliado de Correa, anunciou a reunião de Urgência da Unasul e denunciou a tentativa de golpe de Estado contra o mandatário equatoriano e pediu aos países da Unasul e da Aliança Bolivariana das Américas (Alba) que fiquem "alertas". "Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta Unasul! Alerta Alba! Viva Correa!", escreveu o venezuelano em sua conta no Twitter.

 

A Argentina declarou apoiar Correa e expressou sua "confiança na institucionalidade democrática do país irmão e na autoridade política do presidente constitucional para encontrar o melhor caminho em defesa dos interesses do povo e do governo equatorianos", informou um comunicado da chancelaria de Buenos Aires.

 

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, comunicou o ministro de Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, a solidariedade do governo brasileiro "com o governo e com a democracia o Equador". Amorim disse que "tomou conhecimento com preocupação das manifestações no país", segundo um comunicado do Itamaraty, no qual transmite "total apoio às instituições democráticas do Equador".

 

O comunicado também diz que o presidente Lula se mantém informado da situação, inclusive "sobre ações em curto para uma resposta firme e coordenada do Mercosul, da Unasul e da OEA". Essas ações, segundo a chancelaria brasileira, "repudiaram qualquer desrespeito à ordem institucional deste país irmão".

 

Por parte do México, a chancelaria emitiu um comunicado em apoio ao mandatário equatoriano. "O México expressa sua preocupação pelos fatos ocorridos nesta quinta no Equador e que podem afetar a vida institucional deste país irmão. Manifestamos nosso respaldo ao presidente Rafael Correa", diz a nota.

 

Daniel Ortega, presidente a Nicarágua, denunciou a "nova tentativa de golpe de Estado" contra o mandatário do Equador e pediu que os governos da região se mobilizem contra os militares e policiais. O governo rejeitou "categoricamente os acontecimentos que setores retrógrados e antidemocráticos estão promovendo contra o povo equatoriano".

 

A chancelaria do Paraguai, em nome do presidente Fernando Lugo, também expressou preocupação e destacou "o apoio à institucionalidade democrática e sua solidariedade ao governo constitucional do presidente Rafael Correa", rechaçando "todo tipo de tentativa de desestabilizar a democracia".

 

Cuba também reprovou o "golpe de Estado que está ocorrendo no Equador". "Cuba condena e manifesta sua mais enérgica reprovação aos acontecimentos do Equador".

 

Evo Morales, presidente boliviano, condenou a "vergonhosa conspiração" contra Correa. "Este é uma nova tentativa de evitar por meio da força, a exemplo do que aconteceu em Honduras, a mudança pela qual passa a América Latina", disse o mandatário ao colega equatoriano, acrescentando que seu país rejeita "os atos golpistas e dá total apoio a Correa e à democracia".

 

O governo da Colômbia também se mostrou solidário com a situação no Equador. "O único governo que a Colômbia reconhece é o de Rafael Correa", disse o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón. A chanceler colombiana, María Angela Holguín, disse que espera "uma normalização da situação no Equador o mais rápido possível".

 

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No Chile, o presidente Sebastián Piñera também colocou o país à disposição do Equador no que diz respeito à defesa das instituições democráticas. "Declarei ao presidente Correa, ao povo equatoriano, à ordem constitucional e à democracia no equador o mais absoluto apoio do governo de Santiago", disse.

 

Europeus e EUA

 

Os EUA também condenaram a ação dos militares equatorianos, segundo a representante americana na OEA, Carmen Lomellin. "Os EUA condenam qualquer tentativa de violar o processo democrático e a ordem constitucional do Equador", disse ela. "Apoiamos o governo equatoriano democrático. Apoiamos o presidente Correa. Pedimos uma resolução da disputa por meio do respeito do do diálogo que envolva todas as partes", concluiu.

 

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, pediu a preservação da ordem constitucional e moderação no Equador. Aos se dizer "muito preocupada" com a situação, ela pediu "que todas as partes não recorram à violência e a ações que possam minar a ordem constitucional".

 

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, demonstrou "pleno apoio" a Correa, "democraticamente eleito", e condenou "as tentativas de desestabilizar a ordem constitucional".

 

O governo da Espanha também expressou seu total apoio ao presidente equatoriano. A chancelaria espanhola difundiu um comunicado no qual expressa o apoio às autoridades legítimas e instituições democráticas equatorianas e condena "qualquer ruptura da legalidade constitucional".

 

Atualizado às 19h56

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