Lynsey Addario/The New York Times
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ONG diz ter atendido 3.600 vítimas de ataque com armas químicas na Síria

Na primeira confirmação independente do massacre de quarta-feira, Médicos Sem Fronteiras afirmam que 355 morreram em três hospitais onde a entidade está presente em Damasco

AP e Reuters,

24 de agosto de 2013 | 20h04

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou ontem que três hospitais com os quais colabora, próximos a Damasco, receberam mais de 3,6 mil pessoas com sintomas neurotóxicos três horas depois dos supostos ataques com armas químicas nos arredores da capital síria. Segundo a organização, 355 pessoas morreram.

A confirmação do uso de armas químicas na Síria – a primeira de uma fonte independente – foi divulgada ontem em um comunicado. "O pessoal médico desses hospitais proporcionou informação detalhada aos médicos dos MSF sobre um grande número de doentes que chegavam com sintomas como convulsões, excesso de salivação, pupilas contraídas, visão turva e dificuldades respiratórias", disse Marta Cañas, subdiretora de operações dos MSF.

"Os MSF não podem confirmar cientificamente a causa dos sintomas, nem identificar a autoria do ataque", disse Marta. "No entanto, os sintomas apresentados pelos doentes, a chegada massiva de pacientes e a contaminação sofrida pelos médicos e outros responsáveis pelos primeiros socorros apontam claramente para uma exposição a agentes neurotóxicos."

Também ontem, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, grupo de oposição com sede em Londres, que recolhe informações junto a ativistas e médicos no terreno, disse que contabilizou 322 vítimas de gases tóxicos, dos quais 54 crianças, 82 mulheres e dezenas de rebeldes, "além de 16 corpos não identificados".

A oposição síria acusou as forças do governo de lançaram gases mortais, na quarta-feira, em subúrbios controlados pelos rebeldes, nos arredores de Damasco, matando homens, mulheres e crianças que dormiam.

Estimativas da oposição para o número de mortes variam de 500 a mais de 1.000. Como observadores da ONU não conseguiram ainda visitar o local, não havia uma verificação independente até ontem, quando os MSF emitiram seu comunicado.

A representante da ONU para temas de desarmamento, Angela Kane, chegou ontem a Damasco para tentar convencer Assad a autorizar o acesso imediato dos observadores aos locais dos supostos ataques com armas químicas na periferia da capital. Ela deve se reunir hoje com funcionários de alto escalão do regime sírio, a quem pedirá permissão imediata para o trabalho dos inspetores.

Intervenção. O presidente da opositora Coalizão Nacional Síria, Ahmad Yarba, pediu ontem a intervenção militar no país. "Pedimos à comunidade internacional que passe das palavras às ações. Pedimos uma intervenção internacional para frear a máquina de guerra de Assad que mata os civis", disse. / AP e REUTERS

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