Bassam Khabieh/Reuters
Bassam Khabieh/Reuters

Oposição síria denuncia ataque com armas químicas com até 1,3 mil mortes

Governo sírio nega uso de arsenal proibido e comunidade internacional pede investigação da ONU

O Estado de S. Paulo,

21 de agosto de 2013 | 07h50

DAMASCO  - Diversos grupos ligados à oposição síria denunciaram nesta quarta-feira, 21, um ataque com armas químicas contra subúrbios de Damasco. As estimativas mais conservadoras estimam 494 mortos, mas há grupos que contabilizam mais de mil vítimas. O número exato não pode ser verificado de maneira independente em razão do embargo imposto pelo regime de Bashar Assad à imprensa internacional. O governo sírio nega as acusações.

Nações ocidentais, árabes e o governo da Turquia pediram que uma equipe da ONU presente na Síria investigue o ataque. Se confirmado, o bombardeio da madrugada desta quarta-feira será o ataque mais violento com uso de armas químicas nos dois anos de guerra civil.

Imagens mostram dezenas de corpos, incluindo de crianças pequenas, alinhados no chão de uma clínica médica, sem sinais visíveis de ferimentos. Ativistas disseram que foguetes com agentes químicos atingiram os subúrbios de Damasco de Ain Tarma, Zamalka e Jobar durante intenso bombardeio na madrugada pelas forças do governo.

Um vídeo supostamente feito no bairro Kafr Batna mostra uma sala com mais de 90 corpos, muitos deles crianças, algumas mulheres e homens idosos. A maioria dos corpos parecia cinzento ou pálido, mas sem ferimento. Cerca de uma dúzia estavam embrulhados em cobertores.

"Muitas das vítimas são mulheres e crianças. Eles chegaram com suas pupilas dilatadas, membros frios e espuma na boca. Os médicos dizem que estes são sintomas típicos de vítimas de gás nervosos", disse uma enfermeira.

A televisão estatal síria negou que as forças do governo tenham usado gás venenoso e disse que as acusações tinham a intenção de distrair uma equipe de especialistas em armas químicas da Organização das Nações Unidas que chegou há três dias. Um porta-voz do Exército classificou as acusações da oposição como um sinal de "histeria".

O grupo de oposição sírio Escritório de Mídia de Damasco disse que 494 pessoas morreram no bombardeio. O presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), George Sabra, estima em 1,3 mil o número de mortos.

Reação. O governo da Grã-Bretanha prometeu levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU, acrescentando que os ataques seriam "uma escalada chocante" da situação caso confirmado. A França pediu que a ONU investigue e confirme as denúncias.

A União Europeia defendeu um inquérito imediato. A Turquia e a Liga Árabe também pediram que os inspetores analisem o local do ataque.

O chefe da missão da ONU na Síria, o sueco Ake Sellstrom, disse que o pedido teria de ser feito oficialmente e ter a concordância das autoridades sírias.

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