EFE
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Regime segue usando armas químicas, dizem sírios

Segundo moradores de Damasco que fogem para o Líbano, armas são utilizadas todos os dias por Assad

Lourival Sant'Anna - O Estado de S.Paulo - ENVIADO ESPECIAL,

30 de agosto de 2013 | 22h46

EL-MASNAH, LÍBANO - Moradores de Damasco que cruzavam a fronteira na direção do Líbano disseram nesta sexta-feira ao 'Estado' que as forças leais ao presidente Bashar Assad continuam usando armas químicas nos arredores da capital, ainda que em pequenas quantidades.

Um vídeo exibido nesta sexta-feira pela CNN mostra crianças e adolescentes num hospital com queimaduras no corpo, que afirmam não ter visto o que as atingiu, na segunda-feira, quando estavam na sala de aula de uma escola no vilarejo de Orroum al-Kubra, na estrada de Alepo para Idlib, no norte do país.

"Os hospitais estão abarrotados e continuam chegando pessoas com sintomas de inalação de gases tóxicos", afirmaram nesta sexta-feira os moradores de Damasco. Eles disseram que os confrontos entre o governo e a oposição se intensificaram nas últimas horas na capital e foguetes disparados pelos rebeldes estão atingindo áreas do centro da cidade que antes estavam protegidas, incluindo o bairro de Mohajerin, onde fica a embaixada americana.

Dois veículos da ONU, que, segundo informaram no posto de fronteira, levavam integrantes da equipe de 20 especialistas em armas químicas, passaram pelo local, enquanto o repórter do Estado entrevistava os sírios. Os inspetores da ONU encerraram sua missão nesta sexta-feira, após três dias de visitas à área onde o gás foi usado, colheram grande quantidade de evidências, incluindo tecido humano, e devem chegar neste sábado a Nova York para apresentar um relatório ao Conselho de Segurança e a outros países-membros da organização. Eles visitaram nesta sexta-feira um hospital militar controlado pelo governo em Damasco. O regime acusa os rebeldes de terem usado as armas químicas.

Ativistas que divulgaram o vídeo disseram que sete pessoas morreram e "dezenas" ficaram feridas no ataque de segunda-feira, o mesmo dia em que os inspetores da ONU chegaram para averiguar denúncias anteriores de uso de armas químicas no norte da Síria. Os inspetores acabaram concentrando o seu trabalho na periferia de Damasco em razão do ataque em grande escala do dia 21.

No vídeo, um adolescente com o corpo todo queimado grita: "Façam parar de queimar desse jeito". Os médicos e enfermeiros que o atendem parecem ter apenas cremes para passar em sua pele. Uma menina conta que, de repente, viu que os seus colegas estavam queimando e, então, sentiu que ela também estava. "Eu não conseguia entender por que estávamos queimando", lembra. "É como se eles tivessem usado químicos, napalm ou algo assim", afirma no vídeo uma médica que atendeu os adolescentes.

A menina olha para câmera, dirigindo-se a Assad, e desafia: "Vamos ser médicos, engenheiros e vamos reerguer este país depois que você tiver ido embora".

O relatório dos serviços de inteligência divulgado nesta sexta-feira pelo governo americano afirma que a Síria mantém estocados muitos agentes químicos, incluindo os usados no gás mostarda, sarin e VX e tem "milhares" de munições para emprega-los.

O vice-chanceler sírio, Faissal Mikdad, afirmou nesta sexta-feira que o governo "cooperou plenamente" com a equipe de investigadores da ONU, oferecendo-lhes "todos os meios". Em encontro com o vice-chanceler filipino, Rafael Seguis, Mikdad se disse "perplexo com as declarações de autoridades ocidentais que incluem informação para enganar a opinião pública e para encobrir o apoio da Grã-Bretanha, França e Arábia Saudita aos terroristas para destruir a Síria e derramar sangue no país", informou a TV estatal síria.

Mais tarde, segundo a TV, Mikdad reuniu-se com "uma delegação jordaniana, composta de vários membros do Parlamento, jornalistas e militantes partidários em visita à Síria para demonstrar solidariedade ao país à luz das ameaças ocidentais lideradas pelos EUA". Ele garantiu que "a Síria nunca usou armas químicas e nunca as usará, se elas fossem encontradas, por questões legais e morais"

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