Facção de Abbas colabora com Israel, revela WikiLeaks

Agência de segurança dos palestinos 'compartilhava quase toda' a informação de inteligência

Agência Estado

20 de dezembro de 2010 | 17h25

JERUSALÉM - As forças de segurança israelenses podem ter cooperado mais profundamente do que se imagina com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na época em que milicianos do grupo islâmico Hamas assumiram o controle da Faixa de Gaza ao repelir uma tentativa de golpe da facção política rival Fatah em 2007, segundo um telegrama diplomático norte-americano divulgado hoje pelo site dedicado a vazamentos de informações secretas WikiLeaks.

 

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De acordo com telegrama da Embaixada dos Estados Unidos em Tel-Aviv vazado pelo WikiLeaks com data de 13 de junho de 2007, Yuval Diskin, do Shin Bet, agência de segurança interna de Israel, teria afirmado que o Estado judeu havia "estabelecido uma relação muito boa" com dois ramos dos serviços palestinos de segurança. A agência de segurança interna de Abbas, segundo Diskin, "compartilha (com o Shin Bet) quase toda a inteligência que obtém".

 

Apesar de se saber que há cooperação entre as forças de segurança de Israel e da ANP, o grau de coordenação relatado por Diskin pode causar embaraço a Abbas e a sua facção, Fatah, a qual o Hamas acusa de trabalhar ao lado de Israel. Na época da conversa, Hamas e Fatah travavam uma guerra civil em Gaza depois de a facção leal a Abbas ter tentado desbancar o grupo islâmico Hamas do poder no território palestino litorâneo.

 

Os palestinos mantêm uma relação complexa com Israel, negociando a paz de um lado e de outro considerando o país inimigo por conta da ocupação da Cisjordânia e dos assentamentos judaicos em territórios reivindicados como parte de um futuro Estado independente e soberano.

 

A colaboração com as forças israelenses de segurança é considerada uma ofensa grave entre os palestinos. O Shin Bet é considerado responsável por sangrentas ações contra os militantes palestinos e pelo duro trato dispensado aos suspeitos.

 

No documento, Diskin é citado ainda dizendo que alguns líderes do Fatah - os quais descreveu como "desesperados, desorganizados e desmoralizados" - chegaram a pedir a intervenção de Israel na guerra civil em Gaza. As informações são da Associated Press.

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