'Verdade é negada ao público', diz Assange sobre acusações

Em entrevista ao 'El País', fundador do WikiLeaks diz receber ameaças de morte 'a toda hora'

estadão.com.br

20 de dezembro de 2010 | 13h42

Assange disse que condições na prisão só pioravam com suas transferências.

 

MADRI - O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange disse que a "campanha de descrédito" empreendida contra ele criou "uma caixa preta que impede que o mundo saiba a verdade" sobre as acusações de crimes sexuais que pesam contra ele na Suécia. As declarações do australiano foram publicadas nesta segunda-feira, 20, no jornal espanhol El País.

 

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Na entrevista, a primeria dada desde que deixou a prisão em Londres, na últma quinta, Assange revela como foi o período em que permaneceu sob custódia aguardando as audiências e afirma que recebe ameaças de morte "a toda hora". O australiano ainda cita o presidente Lula, quem o apoiou abertamente.

 

Questionado sobre as acusações da Justiça sueca de que teria praticado "sexo consentido" com duas mulheres, Assange volta a afirmar que é vítima de uma campanha de difamação e que a palavra "violação", usada em tom bastante pejorativo, rotula a "caixa preta" criada sobre seu caso.

 

"Foi criada uma caixa preta, e colocaram a palavra violação do lado de fora. O que há dentro dessa caixa preta foi engado para nós e para o reto do mundo. As poucos, o público consegue o que há no interior desta caixa. Com as alegações que estão dentro dela, não há nada que faria qualquer pessoa razoável dizer que o que houve foi violação", argumenta o fundador do WikiLeaks.

 

Sobre quem estaria por trás desta campanha, Assange preferiu não acusar diretamente os EUA, o principal alvo do vazamento dos mais de 250 mil documentos diplomáticos promovido pelo WikiLeaks. "Não quero dizer que é uma rede de ordens de Hillary Clinton, isso é ridículo. As coisas não funcionam assim no mundo real, que é mais sutil", disse o australiano, referindo-se à secretária de Estado dos EUA.

 

Assange justificou as rápidas declarações após deixar a prisão em Londres na quinta-feira. "A polícia disse que eu poderia ser assassinado", explicou. Ele ainda admitiu que recebe "ameaças a toda hora". "Meu advogado é ameaçado, meus filhos são ameaçados. A maioria parece vir de membros das Forças Armadas americana", disse.

 

O australiano ainda falou sob as condições em que foi mantido na prisão londrina, onde também temia por sua segurança. Ele afirma ter sido transferido a uma cela de prisão solitária por haver riscos de que seria atacado ou morto.

 

Assange ainda citou o presidente Lula na entrevista. Ele agradeceu os líderes que o apoiaram, mas afirmou que Lula só o fez porque "já não deve mais nada aos EUA". "Lula é um caso especial. Ele já vai sair do poder, isso permite que seja mais direto", afirmou.

 

Assange aguarda uma nova audiência, marcada para o dia 11 de janeiro, para responder ao pedido de extradição das autoridades suecas. Ele foi libertado na quinta-feira sob pagamento de fiança e permanece em liberdade condicional, usando dispositivos eletrônicos e tendo que se apresentar diariamente à polícia londrina.

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