Alckmin atribui queda de popularidade à insatisfação geral com políticos

Avaliação positiva do governador de SP caiu de 52% para 38% em junho, segundo pesquisa Datafolha

Caio do Valle - O Estado de S. Paulo,

01 de julho de 2013 | 17h23

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 1º, que a queda de popularidade de lideranças políticas, inclusive a dele, está relacionada com a "insatisfação" da população com os governantes. Além disso, o dirigente paulista afirmou que é preciso "ouvir as manifestações", compreendê-las e agir. Pesquisa Datafolha mostra que a avaliação de ótimo ou bom de Alckmin caiu de 52% para 38% no mês passado, quando surgiram vários protestos no Brasil reclamando por melhores serviços públicos e cobrando a classe política de maneira generalizada.

Já os entrevistados que enxergam a gestão do governador como ruim ou péssima subiram de 15% para 20%. A nota média dada para o tucano caiu de 6,3 para 5,7. Os dados dizem respeito a dois períodos: 6 e 7 de junho, ocasião do primeiro protesto contra tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, e 27 e 28 de junho, quando as manifestações já haviam se espalhado pelas ruas de todo o País. No último caso, foram ouvidos 1.723 pessoas, em 44 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

"A leitura é uma insatisfação com a representação política. Cabe a todos nós ter a humildade de ouvir e compreender essa manifestação e de agir. Não é fazer discurso, é trabalhar, é governar, é cortar gastos, é aumentar investimento, é melhorar a eficiência do gasto público", disse Alckmin.

Para ele, uma das razões da manifestações ocorridas recentemente é a mobilidade urbana. "Por isso, esse empenho todo. A nossa agenda é a agenda das manifestações, é mobilidade urbana. Não é carro. É transporte coletivo de alta capacidade e qualidade. Todo o esforço do governo está sendo feito nesse sentido. E eu chamei a atenção na sexta-feira para o risco de populismo fiscal, vai cortando tarifa, cortando tarifa, se você não cortar gasto corrente, vai reduzir investimento. O que o Brasil precisa é disso aqui, é de investimento, para gerar emprego, gerar desenvolvimento, crescer a economia, melhorar a renda, salário da população", declarou o governador durante evento que marcou o içamento de uma roda de corte de um dos tatuzões que escavarão a extensão da Linha 5-Lilás do Metrô, na zona sul da capital.

Alckmin defendeu que os governos devem deixar claro de onde vão tirar o dinheiro para reduzir as tarifas de transporte coletivo. "Nós mostramos: São Paulo não fabrica dinheiro, não gasta mais do que arrecada, cortamos R$ 129 milhões de receita, baixando tarifa. Mostramos direitinho de onde vão sair os R$ 129 milhões e não vamos reduzir um centavo de investimento."

Caminhões. Sobre a paralisação de caminhoneiros em estradas do Estado, o tucano disse que os profissionais que reclamam da cobrança de pedágio por eixo suspenso já tiveram um benefício, pelo fato de o governo do Estado ter suspendido o reajuste da cobrança dos pedágios na semana passada.

"No nosso caso, nós suprimimos o reajuste, que ia ser de 6,5%. Não é que nós adiamos para o ano que vem. Não, foi suprimido o reajuste. Todos foram beneficiados. A maioria dos caminhões não tem eixo suspenso. Deixou de ter um reajuste de 6,5%. Quem tem o eixo suspenso ganhou 3,5%. Todos foram beneficiados. Nós estamos conversando com as entidades dos sindicatos", disse Alckmin.

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