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Opinião|Um salto na educação: a urgência da escala no contexto brasileiro

Num país tão vasto e diverso como o Brasil, a questão do ganho de escala em iniciativas educacionais é um chamado evidente para a transformação social

Por Rafael Parente e Claudia Costin

Num país tão vasto e diverso como o Brasil, a questão do ganho de escala em iniciativas educacionais transcende uma simples questão política, tornando-se um chamado evidente para a transformação social. Esta perspectiva, inspirada no inesquecível educador e pensador brasileiro Darcy Ribeiro, nos desafia a repensar nossa abordagem à educação, ultrapassando os métodos tradicionais para abraçar mudanças inovadoras e impactantes.

O Brasil presenciou avanços significativos na compreensão do processo de aprendizagem, nas práticas pedagógicas e nos sucessos educacionais localizados. Contudo, transformar esses sucessos individuais numa reforma abrangente e sistêmica permanece uma empreitada desafiadora. Exige de nós um pensamento crítico e ação coletiva, seguindo a abordagem de Ribeiro, que combinava paixão e pragmatismo no desenvolvimento educacional.

A ampliação das práticas educacionais é vital para um país enfrentando disparidades socioeconômicas, evidenciadas pelas notáveis diferenças no acesso e qualidade da educação em todo o Brasil. Ganhar escala não se resume a atingir mais pessoas; implica aprofundar e sustentar o impacto de práticas bem-sucedidas, assegurando que todas as crianças, independentemente de origem, raça, gênero ou orientação sexual, tenham acesso a uma educação de excelência.

Escalar envolve uma combinação de expansão, replicação, adaptação, aprofundamento e sustentação do impacto de políticas, práticas, projetos ou programas bem-sucedidos em diversos contextos e ao longo do tempo. Esta expansão pode ser intencional ou orgânica, integrando iniciativas a sistemas governamentais ou não, com o objetivo de aprimorar, solidificar e estender seu impacto, resultando em melhorias significativas e duradouras na vida das pessoas. Na área da educação, isso significa levar modelos, inovações ou intervenções a um público mais amplo.

O processo de escala deve ser sistemático e estratégico, visando não apenas a ampliar o alcance, mas também a assegurar adaptabilidade contínua a realidades diferentes e em constante mudança, mantendo resultados eficazes e sustentabilidade no longo prazo. Requer uma avaliação abrangente da iniciativa original, envolvimento ativo com partes relevantes, alocação apropriada de recursos e monitoramento e avaliação contínuos para garantir impacto e relevância.

Ampliar iniciativas educacionais no Brasil é um desafio multifacetado. Exige uma abordagem matizada e multidimensional, refletindo a vasta diversidade cultural, social e geográfica do País. Conhecimento aprofundado sobre contextos locais é essencial, assim como planejamento estratégico que considere objetivos, recursos e potenciais barreiras de cada região. A implementação eficaz não é uma abordagem universal, mas sim adaptada e inovadora. Isso significa avaliar regularmente a eficácia das iniciativas sendo expandidas e estar pronto para fazer ajustes em resposta a novos dados, feedbacks ou mudanças de circunstâncias.

Liderança e vontade política são cruciais para o sucesso em escala. Isso envolve não apenas investimento financeiro, mas também o desenvolvimento de políticas e estruturas de apoio. Construir e manter parcerias colaborativas é fundamental, reunindo educadores, estudantes, formuladores de políticas, comunidades, ONGs e parceiros do setor privado. As parcerias permitem reunir recursos, compartilhar conhecimentos e criar sinergias que ampliem o impacto das iniciativas educacionais.

Para sustentar iniciativas em escala, é necessário desenvolver as capacidades de educadores e administradores, por meio da formação e de sistemas de apoio contínuos que os capacitem a implementar e manter novas práticas de forma eficaz. O monitoramento e a avaliação contínuos são essenciais para identificar melhores práticas, o impacto das iniciativas, áreas para melhoria e garantir que as iniciativas estejam atingindo os objetivos pretendidos.

Os avanços tecnológicos e metodologias inovadoras oferecem novas oportunidades para aprimorar e dar escala a iniciativas educacionais. De plataformas de aprendizagem online a análises baseadas em dados gerados e manipulados por inteligência artificial (IA), essas ferramentas podem apoiar a entrega, a avaliação e a melhoria da educação, o que se alinha com a visão de Ribeiro sobre a adoção de soluções modernas para desafios tradicionais.

A urgência de dar escala a iniciativas educacionais no Brasil não pode ser subestimada. É uma missão que nos convoca a canalizar nossas energias e recursos coletivos para criar um cenário educacional mais equitativo, inclusivo e dinâmico. Inspirados nos ideais visionários de Darcy Ribeiro, este imperativo educacional é um caminho para forjar um Brasil mais forte e resiliente para as gerações futuras.

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COFUNDADORES DO INSTITUTO SALTO, SÃO, RESPECTIVAMENTE, EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL E EX-DIRETORA SÊNIOR PARA EDUCAÇÃO NO BANCO MUNDIAL

Opinião por Rafael Parente e Claudia Costin
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