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Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

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Por Fórum dos Leitores
10 min de leitura

Política econômica

Diálogo

Fernando Haddad disse que seguirá buscando diálogo com o Congresso Nacional para ampliar as receitas. Não seria melhor ele ampliar o diálogo com o presidente Lula e o seu partido para cortar gastos?

Vital Romaneli Penha

Jacareí

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Governo perdulário

Sabíamos que com um governo perdulário o arcabouço fiscal jamais sairia do calabouço. O governo jogou a toalha para 2027, dívida pública cresceu quase R$ 1 trilhão em pouco mais de um ano e o Congresso legisla em causa própria. Tenho pena de meus descendentes, por essa herança.

Beatriz Campos

São Paulo

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Indústria

O atraso brasileiro

Em relação à matéria Montadoras avaliam ‘importar’ linhas de produção aposentadas no exterior (Estadão, 15/4, B6), subsidiar a compra do que já é claramente obsoleto em outros países é realmente o que se pode esperar deste governo federal, que representa como poucos o atraso do Brasil. Se estes equipamentos já estão sendo aposentados no exterior, então como servirão para exportação? Provavelmente,vão apenas abastecer o nosso mercado interno com mais produtos tecnologicamente defasados, contribuindo só para aumentar ainda mais o lucro empresarial e contando, mais uma vez, com a chancela oficial da administração atual para isso. Vejo, ao fim, um governo fraco e pouco criativo para propor políticas concretas para o desenvolvimento do Brasil e que prefere, por alguma razão, manter as mesmas políticas fracassadas e ultrapassadas de proteção de mercado, subsídio, isenções e crédito fácil para o setor industrial, com os resultados esperados de sempre. Até quando? Tristes trópicos.

Fernando T. H. F. Machado

São Paulo

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Operação Lava Jato

Decisão monocrática

Mais uma medida monocrática provoca reação nos meios jurídicos e na sociedade. O corregedor nacional de Justiça, ministro Luís Felipe Salomão, afastou a juíza Gabriela Hardt e mais três magistrados do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Paraná. A alegação é de suposta “existência de indícios de cometimento de graves infrações disciplinares”. Traduzido para melhor Português, é a continuação do desmonte da Operação Lava Jato. Quem mandou ousar desvendar a corrupção e pôr na cadeia corruptos confessos? A Lava Jato entrou em nossas casas durante anos a fio e nos deixou estupefatos com os relatos e as investigações, mas infelizmente não passou de uma série de ficção, que não vai ter segunda temporada.

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva

Salvador

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O mensageiro

Temos acompanhado a eficiente e determinada escavação dos pecados de Deltan Dallagnol, Sergio Moro e, agora, Gabriela Hardt, que substituiu Moro na Lava Jato em Curitiba. Não tenho dúvidas de que podem ter errado e rompido as quatro linhas no afã de atingir o que achavam que seria justiça. Mas e o cadáver – as inequívocas impressões digitais de crime cometido – que está fedendo, mas nossos doutos togados do STF teimam em tapar o nariz para não reconhecer? Confissões, dinheiro desviado identificado, bens em nome de “amigos”, condenações em cortes menos sujeitas a pressão política, etc. O importante são as firulas jurídicas ou os fatos? Executemos o mensageiro, mas vamos ignorar a mensagem? Pobre Brasil.

Eduardo Aguinaga

Rio de Janeiro

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Amazônia

O asfaltamento da BR-319

Na notícia do Estadão de 15/4 (A12) sobre a proposta de asfaltamento da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, o professor de Engenharia de Transportes Augusto Rocha, da Universidade Federal do Amazonas, diz que há conhecimento técnico e tecnologia para que não se repita o que ocorreu com a construção da Transamazônica. Mas, até hoje, o que vemos é falta de infraestrutura, de pessoal e de interesse político para fiscalizar e punir de forma efetiva invasões, assassinatos, desmatamentos e exploração ilegal dos recursos naturais. Precisamos inverter essa realidade, a começar por engavetar a proposta do Ministério dos Transportes, e não a meta de desmatamento zero. Devemos, primeiro, mostrar ao mundo que somos capazes de manter o desmatamento zero, e só depois poderemos mostrar ao mundo como se faz uma rodovia sustentável. A nossa sobrevivência está em jogo e o tempo está acabando. Escutemos a ciência.

Arthur A. C. Treuherz

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CONFLITO DE INTERESSES

O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, presta serviços para o conglomerado Novonor, antiga Odebrecht, ao mesmo tempo que o órgão do governo renegocia os acordos de leniência no âmbito da Operação Lava Jato. Esse caso me fez lembrar da frase do Lúcio Flávio Vilar Lírio, no livro O passageiro da agonia: polícia é polícia, bandido é bandido. Portanto, ministro é ministro, banca de advocacia é banca de advocacia.

Vital Romaneli Penha

São Paulo

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EXORBITÂNCIAS SUPERIORES

O artigo STF - democracia e golpe (Estado, 15/4, A5), de autoria de jornalista Carlos Alberto Di Franco, expõe as exorbitâncias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bem como do Supremo Tribunal Federal (STF), exemplificando que essas Cortes não têm respeitado seus limites. Vale lembrar que, no caso do processo contra o lavajatista Deltan Dallagnol, até a lei natural da causalidade foi ignorada ao condená-lo baseando-se em condenação não havida.

José Elias Laier

São Paulo

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SERGIO MORO

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), que muda de opinião conforme a direção do vento, disse que parte da mídia fez Sérgio Moro um Deus e ele acreditou. Isso é pura inveja. Gilmar Mendes ocupa um cargo público por indicação política, enquanto Moro, apesar de suas supostas irregularidades, ficou conhecido como um líder da “república de Curitiba”, que desvendou o maior esquema de corrupção da história brasileira.

Jose Alcides Muller

São Paulo

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FUTURO DO ‘X’

Se o X, de Elon Musk, for banido do Brasil em razão de suas fortes declarações contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, vai passar a assinar seu nome assim: Ale_andre.

J. S. Decol

São Paulo

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ELON MUSK

No Brasil, a personalidade divulgada pela mídia e pela cúpula brasileira é de Elon Musk, dono da rede social X, antiga Twitter, como um bilionário extravagante que compromete a soberania nacional com fake news antidemocráticas, intrometendo-se em nossos assuntos internos. Para muitos, Elon Musk é um guerreiro mundo afora, que prioriza princípios no lugar de lucros em nome da “liberdade com responsabilidade, sem censura”. Devido à restrição de liberdade, a rede social X não atua na China, na Coreia do Norte, no Irã, em Mianmar, Nigéria, Rússia e Turcomenistão.

Humberto Schuwartz Soares

Vila Velha (ES)

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NOVO PRESIDENTE DO BC

Aberto o período de especulações para a escolha de um novo CEO, com nove meses de antecedência, para substituir Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central (BC). Último baluarte da era Bolsonaro, vem exercendo com rara competência a função a ele confiada. Desde a posse do governo Lula da Silva, em janeiro de 2023, e até a presente data, Campos Neto vem enfrentando ataques constantes do chefe do Executivo, obcecado pela queda da Taxa Selic a qualquer custo, nem que isso “custe” caro ao bolso do consumidor. Ele continua impávido, cônscio do que faz e, com certeza, cumprirá seu mandato até o fim. O mercado (empresários e banqueiros) concorda com Campos Neto sobre outubro ser o limite para a escolha de seu sucessor. Assim, o processo seria suave e sem atropelos. Tudo muito bem, porém esqueceram de combinar com os russos. Seja outubro ou dezembro para o início da transição, as tormentas virão. O importante para o mandachuva, embora o BC seja independente, é reassumir as rédeas da Instituição, nem que seja nos bastidores para forçar a barra com medidas eleitoreiras. Portanto, a nomeação de um poste, com ligação direta com o Palácio do Planalto, é praticamente certa.

Sergio Dafré

São Paulo

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CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Os que cobram um pronunciamento do governo brasileiro contra o recente ataque do Irã a Israel deveriam ter tido atitude no mínimo equivalente em relação ao ataque de Israel à embaixada do Irã, na Síria. Enquanto o ataque do Irã consistiu, na verdade, de uma advertência militar sem fazer vítimas, o ataque de Israel surpreendeu autoridades em reunião na sede da embaixada iraniana em Damasco, sem condições de reagir, incluindo dois generais ocupantes de cargos estratégicos na hierarquia do país islâmico, deixando claro o objetivo de Israel com vista a debilitar o governo adversário. Prática, aliás, precedida de antecedentes, como o assassinato dos generais Razi Moussavi e Qassim Soleimani – esse último surpreendido por um ataque brutal de drone no momento em que se deslocava para deixar o estacionamento do aeroporto de Bagdá. Em prol dos fatos e do necessário combate à desinformação, convém ressaltar a diferença de tratamento dado a cada um dos dois casos, em favor justamente do lado que atuou da forma mais infame, em notório descumprimento, ainda, do princípio de inviolabilidade das sedes de representação diplomática consagrado no Direito Internacional.

Patricia Porto da Silva

Rio de Janeiro

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AÇÃO DEFENSIVA

Venho de uma família de diplomatas e realmente não consigo entender o que um grupo de líderes militares iranianos pode, ou poderia, estar fazendo numa representação diplomática que tem, como função principal, o exercício da diplomacia com representantes diplomatas e chanceleres. No Brasil temos, em nossas embaixadas, um adido militar, normalmente de alta patente, como coronéis. A função é auxiliar o embaixador em questões que envolvam conhecimento militar e representar nosso país em eventos militares. Até mesmo os norte-americanos detêm um pequeno grupamento militar de contenção em suas principais embaixadas e representações diplomáticas, normalmente liderados por um militar de baixa patente ou, até mesmo, um sargento qualificado. Os filmes sobre a invasão dos estudantes iranianos à embaixada norte-americana em Teerã mostram muito bem a presença e a atuação destes militares. Só me resta supor que a ação militar israelense foi defensiva e, agora, sofreu uma ação ofensiva!

Jose Rubens de Macedo Soares

São Paulo

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GUERRA TECNOLÓGICA

O ataque do Irã a Israel vai causar uma mudança de paradigma na corrida armamentista, ficando cada vez mais claro o poder de armas modernas e baratas e a obsolescência das armas convencionais. Um avião de caça custa milhões de dólares, requer anos de treinamento para os pilotos, tem um custo de manutenção altíssimo, precisa de aeroportos, etc. Um drone de ataque custa a partir de US$ 10 mil, pode ser lançado de qualquer lugar, não precisa de piloto, é descartável e pode causar grandes danos com precisão cirúrgica. A Rússia está assistindo a seus tanques de guerra serem dizimados por pequenos foguetes lançados por uma pessoa. Os tanques custam uma fortuna, precisam de vários soldados. Fica cada vez mais claro que a guerra do futuro será travada por veículos teleguiados, como os drones. A imagem de um porta-aviões de trilhões de dólares cruzando os mares cheio de aviões de caça será coisa do passado. Um enxame de milhares ou milhões de drones será o novo pesadelo.

Mário Barilá Filho

São Paulo

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COMPOSIÇÃO DO BRICS

O bloco dos Brics cresce e passa a integrar cinco novos países, sendo eles: Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã, além de China e Rússia. Os demais são Brasil, Índia e África do Sul. A Argentina não quis participar. Os sete primeiros são autocracias, vulgo ditaduras. O que o Brasil está fazendo aí? Preocupante!

Tania Tavares

São Paulo

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NUVEM DE TEMPESTADE

Em relação à matéria Equipe econômica reduz meta fiscal e adia o ajuste das contas públicas (Estado, 16/4, B1), gostaria de tecer os seguintes comentários: infelizmente, é o resultado esperado para um governo federal fraco e sem rumo concreto, que atira para todos os lados buscando a ilusão da popularidade efêmera enquanto é, em essência, tragicamente inapto para compreender que o próprio Brasil, e o restante do mundo, mudaram substancialmente nas últimas décadas. Cada vez menos a população é capaz de se identificar com uma administração federal que, no campo externo, costumeiramente elogia ditadores e busca conflitos desnecessários com nossos parceiros comerciais, enquanto no plano interno a política imediatista se restringe à briga por nomeações em estatais, marketing vazio e a continuação da política obsoleta e fracassada de auxílios generosos a setores pouco produtivos, inovadores e competitivos internacionalmente. Como resultado, o Brasil tende a afundar cada vez mais. Até que uma nova administração, realmente comprometida com os verdadeiros interesses de desenvolvimento e integração internacional do Brasil seja eleita e empossada, infelizmente esse (des)governo, que sintetiza como poucos o atraso em que nos encontramos, continuará pairando sobre o nosso País indefeso como uma ameaçadora nuvem de tempestade. Tristes trópicos.

Fernando T. H. F. Machado

São Paulo

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META FISCAL PARA 2025

A manchete de terça-feira (16/4) do Estadão, intitulada Governo reduz meta fiscal e adia ajuste de contas públicas, soa lindamente! Enganaram os eleitores e estamos diante de uma realidade de crise exacerbada. Depois da maracutaia engendrada, resta o lamento.

Edmar Augusto Monteiro

São Paulo

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INVASÕES DO MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) acaba de botar em prática o abril vermelho, fazendo 24 invasões de terras em 11 Estados. Até agora, parece que deu um branco no presidente Lula e no PT. Ambos não se manifestaram sobre o movimento que cobra políticas públicas do atual governo. Também não se sabe se o governo vai coibir as invasões ou se vai amarelar. Este é o Brasil em cores e ao vivo.

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva

Salvador

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PROJETO DE LEI PARA O MST

Em relação à matéria CCJ da Câmara reage a invasões de terra e pauta projetos de lei contra o MST (Estado, 15/4), criar projetos de lei para expulsar invasores de propriedades privadas é uma grande vergonha. Tais grupos são intocáveis e protegidos pelo governo. Por outro lado, os invasores dos prédios públicos em Brasília foram chamados de golpistas, conduzidos à Papuda e receberam condenações monocráticas e arbitrárias de até 17 anos de prisão. Por que o ministro Alexandre de Moraes puniu rigorosamente os invasores do 8 de janeiro e é tão permissivo com os invasores de propriedades alheias?

Maurílio Polizello Junior

São Paulo

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CASA DE SHOW FECHADA

O município de Petrópolis, há dois anos, ganhou uma excelente casa de shows com apresentações de ícones da MPB e do Jazz, no distrito de Itaipava. A casa foi batizada com o nome de “Soberano” em homenagem ao maestro Tom Jobim. Os altos custos para manter o espaço causou o seu fechamento e derrubou a esperança dos petropolitanos e fluminenses de desfrutar da boa música de qualidade internacional. A prefeitura não percebeu a oportunidade de colocar a cidade em um patamar equivalente às capitais no que se refere ao entretenimento civilizado. Não se preocupou em oferecer incentivos fiscais ao local que já se consagrava com o acolhimento de artistas internacionais. Petrópolis volta então à mediocridade musical das apresentações sem significado e, mais uma vez, o prefeito se mantém omisso às causas da cidade. Já não basta seu comportamento diante das enchentes? Que pena!

Mário Negrão Borgonovi

Rio de Janeiro

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QUALIDADE DAS PARTIDAS DE FUTEBOL

Se nas principais praças do nosso futebol os estádios são mais modernos, têm melhores gramados, muito mais público e dinheiro envolvido, a qualidade das partidas disputadas, infelizmente, está beirando o horror, como aconteceu nos dois jogos a que assisti da primeira rodada do Brasileirão, entre Corinthians e Atlético de Minas e Vitória e Palmeiras. Além disso, no estádio da Neo Química Arena, com um juiz também fraco, foram aplicados dez cartões amarelos e dois vermelhos. Já no jogo do Barradão, na Bahia, o Palmeiras fez um jogo tão ruim que parecia que os atletas estavam disputando um descompromissado rachão de fim de semana. E a culpa não pode ser só do calendário, como reclamam os dirigentes. Na realidade, nossos técnicos e jogadores parecem preferir comemorar um empate do que respeitar o público e procurar jogar um futebol determinado pela busca incessante do gol, o que é lamentável. Sugiro que assistam, como eu vi no domingo (14/4) e me encantei, a dois jogos do campeonato inglês, entre Liverpool e Cristal Palace e entre Arsenal e Aston Villa. Nessas duas partidas, com reduzidas faltas e cartões, foram 90 minutos de muita emoção e procura pelo gol.

Paulo Panossian

São Paulo