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ANÁLISE: Duque não poderá recuar do que disse ao juiz Sérgio Moro

Depoimento do ex-diretor da Petrobrás diante do juiz Sérgio Moro contribui para fechar ainda mais o cerco ao ex-presidente Lula

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Por Vera Magalhães

O depoimento do ex-diretor da Petrobrás Renato Duque diante do juiz Sérgio Moro contribui para fechar ainda mais o cerco ao ex-presidente Lula, enredado numa trama de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e sistemática tentativa de obstrução à Justiça. Duque afirmou que está disposto a firmar um acordo de delação premiada, cujas conversas estão em curso. Não se tratou, portanto, de uma tentativa de mandar apenas um recado a Lula e ao PT: Duque não poderá recuar do que disse, sob pena de se complicar ainda mais nos processos aos quais já responde. Também cai por terra o discurso dos petistas que gostam de apontar conspirações a cada nova prova contra o ex-presidente, uma vez que Moro, logo no início do depoimento – que foi pedido pela defesa de Duque, é importante frisar –, advertiu o ex-diretor de todas as implicações caso inventasse algo em relação a alguém.

Na narrativa, Lula emerge como o “capo”, ciente de tudo e a orientar as queimas de arquivo. Aliás, não é a primeira vez na Lava Jato que o vemos desempenhando esse papel: nos grampos em que aparece orientando pressão sobre ministros do Supremo, na tentativa de impedir a delação de Nestor Cerveró por intermédio de Delcídio Amaral, na nomeação para a Casa Civil para ter foro privilegiado e na narrativa de Léo Pinheiro, da OAS, Lula está sistematicamente agindo para obstruir investigações. A delação de Duque encrenca Lula quando o PT achava que a onda de habeas corpus no STF evitaria a fala tóxica de Antonio Palocci. O tiro saiu pela culatra duas vezes: esqueceram de blindar o elo mais fraco da “máfia”.