Aras expõe no WhatsApp pedido de Guedes para se livrar de depoimento na Polícia Federal

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Por Daniel Weterman
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Ministro da Economia tenta evitar ser ouvido em processo do Ministério Público contra senador Renan Calheiros

Por Daniel Weterman
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BRASÍLIA. - O ministro da Economia, Paulo Guedes, buscou o procurador-geral da República, Augusto Aras, para se livrar de um depoimento na Polícia Federal em um processo que investiga o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O pedido foi exposto por engano pelo próprio procurador no WhatsApp.

Mensagem de WhatsApp de Augusto Aras
Mensagem de WhatsApp de Augusto Aras Foto: WhatsApp/Reprodução

Aras publicou, sem querer, uma mensagem que recebeu de um interlocutor pedindo que ele recebesse o advogado Ticiano Figueiredo, defensor do ministro da Economia, para tratar da dispensa do depoimento.

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O procurador-geral da República, Augusto Aras, publicou em seu status no Whatsapp mensagem que recebeu do ministro Paulo Guedes.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, publicou em seu status no Whatsapp mensagem que recebeu do ministro Paulo Guedes. Foto: Adriano Machado/Reuters

O conteúdo foi publicado no status de Aras no Whatsapp, espaço de mensagens temporárias disponível apenas para contatos no aplicativo de trocas de mensagens. “Seria possível receber o advogado do Paulo Guedes, o dr. Ticiano Figueiredo por 5 minutos? Assunto: possível dispensa de Paulo Guedes, junto à PF, em processo investigativo contra Renan Calheiros, onde Guedes não é parte”, diz a mensagem. A resposta que o procurador-geral teria dado ao interlocutor também foi parar no status: “Sim. Falaremos no celular e ajustaremos”. Ao perceber o engano, o procurador apagou as imagens.

Em abril, a defesa de Guedes fez o pedido de dispensa diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento dos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Francisco Agosti e Marcelo Neves é que o chefe da pasta não tem qualquer relação com a investigação envolvendo Renan Calheiros.

O senador Renan Calheiros(MDB-AL) é alvo de investigação do Ministério Público em que Paulo Guedes foi arrolado para ser ouvido.
O senador Renan Calheiros(MDB-AL) é alvo de investigação do Ministério Público em que Paulo Guedes foi arrolado para ser ouvido. Foto: Marcelo Chello/Estadão.

O processo é relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso no STF e investiga condutas ilegais supostamente praticadas pelo senador no âmbito do Postalis, instituto de previdência dos Correios, entre 2010 e 2016.

A suspeita é que o parlamentar tenha ligação com um esquema de lavagem de dinheiro administrado por Milton Lyra, apontado como operador de emedebistas. Desde que o inquérito foi aberto, em 2017, Renan negou irregularidades. Há pedido no processo para que Paulo Guedes seja ouvido apenas na qualidade de “declarante” e não como testemunha.

Procurada pela reportagem, a PGR confirmou o teor da mensagem, mas não informou se Aras recebeu ou vai receber o advogado de Guedes para discutir o pedido. Nenhum encontro com Ticiano Figueiredo foi registrado na agenda pública do procurador.

“Trata-se de pedido de audiência recebido pelo procurador-geral da República com resposta indicando que seriam tomadas as providências para checar a viabilidade de futura agenda”, disse a PGR. O advogado do ministro não respondeu à reportagem e o Ministério da Economia não se manifestou.

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