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Lava Jato acha 'rabiscos' na agenda marrom de executivo preso em Cumbica

Nas 105 páginas do bloco de Mariano Ferraz, que teria pago US$ 800 mil em propinas a ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, anotações inteiras foram encobertas com tinta de caneta

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Foto do author Julia Affonso
Por Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt
 Foto: Estadão

A Polícia Federal encontrou com o executivo Mariano Ferraz, detido no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos/Cumbica quando estava prestes a embarcar para Londres na quinta-feira, 27 de outubro, uma agenda marrom com referência a vários países. Nas 105 páginas do caderno, porém, quase todas as anotações estão rabiscadas a caneta e muitas palavras, encobertas, ficaram ilegíveis.

É possível identificar apenas referências a vários países e cidades, como Paris, Luanda, Genebra, Mônaco e Rio, indicando a intensa rotina de viagens do executivo suspeito de pagar US$ 800 mil em propinas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa por meio de transferências no exterior.

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A AGENDA DE MARIANO - PARTE 5 Esses repasses caíram em contas do genro do ex-diretor da estatal petrolífera.

Peritos federais deverão analisar a agenda para tentar recuperar as informações nela contidas.

Investigadores suspeitam que Ferraz teria deliberadamente riscado página por página do seu bloco com intuito de ocultar a identidade de seus contatos ou até mesmo dados que possam levar a Lava Jato a novas descobertas.

Ferraz é executivo da Trafigura, uma empresa internacional que movimentou US$ 8,6 bilhões em compras e vendas de combustíveis com a Petrobrás entre 2003 e 2015. Ele também representa a Decal, empresa que possui contratos de aluguel de tanques com a estatal.

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O empresário Mariano Ferraz, preso pela Lava Jato nesta quarta-feira, 26, enquanto tentava deixar o País. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Atualmente, ele está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, e deve participar de uma audiência perante o juiz Sérgio Moro, que o mandou prender, nesta quinta-feira, 3. O magistrado deverá decidir se mantém ou não o executivo na prisão da Lava Jato.

Segundo delatores, a área de compra e venda de combustíveis, conhecida como trading internacional, seria um 'terreno fértil' para ilicitudes na Petrobrás, pois as alterações nos preços poderiam gerar recursos para propinas a políticos.

 Foto: Estadão

Além da suspeita de propina, segundo o Ministério Público Federal, a Lava Jato identificou que Mariano Ferraz modificou seu padrão de viagens ao Brasil após a deflagração da Operação, 'o que é indicativo de que receava eventual prisão e responsabilização'.

Os investigadores suspeitam que Ferraz iria fugir para a Itália, depois de passar por Londres. "Assim, verificou-se que o empresário poderia facilmente não mais retornar ao território nacional, atrapalhando, com isso, a efetividade do processo e de futura sanção penal em caso de condenação", alertou a Procuradoria da República em nota divulgada no dia da prisão.

A Procuradoria identificou também que Ferraz está registrado em zona eleitoral localizada no exterior e, portanto, vota apenas em eleições presidenciais. Com isso, por não votar no segundo turno das eleições municipais de 2016, não havia nenhum impedimento para sua prisão preventiva, ocorrida na semana passada, a três dias do pleito eleitoral.

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COM A PALAVRA, A DEFESA DE MARIANO FERRAZ: Os advogados de Mariano Ferraz informaram que ainda estão se informando sobre sua prisão e vão se manifestar depois que o empresário prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro.

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