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Um olhar crítico no poder e nos poderosos

Opinião|Instalado em Brasília, Lula deve anunciar os primeiros nomes do governo

Principal foco deste momento de transição recai sobre a definição do novo ministro da Economia

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Foto do author Eliane Cantanhêde

Treino é treino, jogo é jogo e a transição começa para valer nesta semana, com a chegada do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva a Brasília, já recuperado da inesperada cirurgia das cordas vocais e, atenção, pronto para anunciar os primeiros e mais significativos nomes do ministério.

Essa é uma das questões centrais, pela ansiedade e pelas pressões que provoca, não só do mercado, mas do setor produtivo, dos candidatos a ministérios e de todas as áreas. E o foco recai, evidentemente, sobre o novo ministro da Economia: nome, passado, ideias, personalidade. Ou seja: o que ele projeta.

Depois das primeiras agendas internacionais como presidente eleito, no Egito e em Portugal (foto), Lula voltou para Brasília Foto: Carlos Costa/AFP

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Lula já causou estresse desnecessário ao dar de ombros, duas vezes, à estabilidade fiscal. Agora, joga Fernando Haddad no fogo, também duas vezes, ao deixar vazar seu nome na Fazenda, com Persio Arida no Planejamento, e despachá-lo para um almoço na Febraban de uma hora para outra, exatamente no meio do falatório sobre a equipe econômica.

Haddad fez o que pôde, estudou, consultou Lula, ficou em cima do muro. E não fez o que não podia: anunciar rumos, planos e metas de governo para a economia, que era, exatamente, o que os donos do capital esperavam. Logo, frustrou as expectativas, a Bolsa caiu, o dólar subiu. Em vez de diminuírem, as dúvidas aumentaram.

Haddad pagou o pato pela ansiedade dos convivas diante das intenções, ações e escolhas de Lula e o resultado foi a percepção dos banqueiros: se ele nem se preparou para o almoço na Febraban, é porque não está se preparando para assumir a economia. E Arida, “pai do Real”, avisa que não foi convidado e, se for, não tem intenção de aceitar. A ansiedade voltou à estaca zero.

Na Defesa, a transição no Exército, na Marinha e na FAB é tão óbvia que dispensa comissões. Lula escolhe um dos três quatro-estrelas mais antigos de cada força, o atual comandante passa o bastão para o novo e ponto. Nem depende do ministro da Defesa, esse, sim, uma escolha complicada, com a missão de despolitizar as forças, descontaminar o ambiente anti-Lula e tocar os projetos que... vêm desde Lula.

Destaque-se a comissão da Saúde, uma das áreas bombardeadas, sem dó nem piedade, na era Jair Bolsonaro. Com os ex-ministros Humberto Costa, José Gomes Temporão, Alexandre Padilha e Arthur Chioro, já tem diagnóstico (trágico), propostas e cronograma. E vai anunciar um “revogaço” de atos, por exemplo, sobre saúde mental e da mulher e uso da cloroquina para covid.

Lula entra em campo, define os atacantes na economia, na Defesa e na articulação política e avança na PEC do Bolsa Família. Menos ansiedade, menos pressão e bola para frente!

Opinião por Eliane Cantanhêde

Comentarista da Rádio Eldorado, Rádio Jornal (PE) e do telejornal GloboNews em Pauta

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