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Engenheiro diz que Dilma foi avisada sobre Pasadena

Funcionário da Petrobrás afirma, segundo a revista ‘Veja’, que a presidente foi informada das irregularidades na compra da refinaria

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Por Redação
Atualização:

O engenheiro Otávio Pessoa Cintra afirma, de acordo com a revista Veja, que a presidente Dilma Rousseff foi avisada sobre as irregularidades na compra da refinaria de Pasadena (EUA). Ele ocupou o cargo de gerente da Petrobrás América, braço da estatal com sede em Houston, no Texas, e ainda é funcionário da Petrobrás.

Refinaria dePasadena da Petrobrás Foto: AGENCIA PETROBRAS

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“No segundo semestre de 2005, tive um encontro com o deputado (ex-deputado federal do PT do Rio) Jorge Bittar. Eu falei: ‘Deputado, tem irregularidade na compra de Pasadena. Meia dúzia de suspeitos estão envolvidos nessa negociação’. Quem intermediou o encontro no gabinete do deputado, no Edifício Di Paoli, no Rio, foi meu amigo, o Paulo César Araújo, que trabalhava com o Bittar. O Bittar, então, levou o assunto à (então) ministra da Casa Civil da Presidência da República (Dilma) e ao (então) presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli”, afirma Cintra, em entrevista publicada ontem no site de Veja.

Em dezembro de 2014, o Estado publicou reportagem na qual mostrava que uma testemunha secreta procurou os delegados federais da força-tarefa da Operação Lava Jato para denunciar indícios de crimes e “má gestão proposital” na estatal “com o objetivo de desviar dinheiro sem levantar suspeita em auditorias e fiscalizações”. Na ocasião, ele apontou fraudes na compra da refinaria de Pasadena, investigada pelas autoridades da Lava Jato.

Essa testemunha secreta era Cintra. Ele afirmou à revista Veja ter certeza de que Dilma foi avisada das irregularidades. “O Paulo César, assessor do Bittar, me confirmou. Quando estourou a Operação Lava Jato, tivemos outro encontro, em 2014, no mesmo Edifício Di Paoli. O Paulo falou: ‘O pior é que sua denúncia foi levada à Casa Civil e ao Gabrielli’. A Dilma e o Gabrielli sabiam. O Bittar foi à Casa Civil e ao Gabrielli. Eu só tomei conhecimento agora em 2014 que a Dilma sabia de tudo”, disse.

Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró afirmou que a compra da refinaria rendeu propina para os envolvidos no negócio. O senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) também confirmou em delação as irregularidades na compra da refinaria e citou Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme revelou o Estado em março de 2014, a presidente deu aval para a compra da primeira metade da refinaria, em 2006. Ao jornal, ela justificou que o então diretor da Petrobrás Cerveró omitiu cláusulas prejudiciais do contrato. Do contrário, alegou, vetaria o negócio, hoje considerado um dos piores já feitos pela Petrobrás – o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que houve prejuízo de US$ 792 milhões.

Lula. Cintra também disse ter tentado avisar Lula. “Em uma cerimônia (no Chile), salvo engano em 2013, um representante do Itamaraty me colocou sentado ao lado dele, e me apresentou como funcionário da Petrobrás. Pensei em aproveitar a oportunidade e falar com o ex-presidente, mas não foi possível. O ex-presidente tinha bebido um pouco de uísque, me olhou, deu um tapa forte no meu peito e disse, sorrindo: ‘Petrobraaasssss’. Aí todo mundo riu, mas não teve jeito de conversar com ele.”

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Ainda de acordo com Cintra, ele foi perseguido na estatal depois ter feito a denúncia a Gabrielli e teme pela vida dele e de seus familiares. A Petrobrás e o Planalto não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Em nota, o ex-deputado Jorge Bittar afirmou que foi apresentado a Otávio Cintra em 2005, em seu escritório, quando falaram sobre assuntos relativos à Petrobrás, mas que, após essa ocasião, não teve mais contato com Cintra. Bittar negou, ainda, que tenha recebido qualquer denúncia ou providência "de qualquer natureza".