Haddad e Tarcísio reforçam polarização em São Paulo; Garcia segura União Brasil

Foto: Haddad: Alex Silva/Estadão | Tarcísio: Gabriela Biló/ Estadão | Garcia: Alex Silva/Estadão

Campanha ao governo paulista afunila em petista, ex-ministro de Bolsonaro e governador; França deve concorrer ao Senado

Por Pedro Venceslau e Beatriz Bulla

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A pouco menos de um mês para o início das convenções, as mais recentes movimentações políticas em São Paulo reforçam a polarização nacional entre petismo e bolsonarismo na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Para tentar manter a hegemonia tucana no Estado, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) segura o apoio do União Brasil.

No cenário em que Gilberto Kassab, presidente do PSD, caminha para fechar chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos) – o candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL) –, Márcio França (PSB), que negociava com o ex-prefeito de São Paulo, deve deixar a corrida. Com isso, a campanha se concentra em três nomes hoje à frente nas pesquisas: Fernando Haddad (PT), Tarcísio e Garcia.

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Márcio França (PSB), que negociava com o ex-prefeito de São Paulo, deve deixar a corrida.
Márcio França (PSB), que negociava com o ex-prefeito de São Paulo, deve deixar a corrida.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Kassab se reuniu ontem com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para tratar da indicação do ex-prefeito de São José dos Campos Felício Ramuth como vice de Tarcísio. Procurado, o presidente do PSD confirmou o encontro, mas negou que tenha batido o martelo. “Continuo defendendo candidatura própria, mas nenhuma conversa está bloqueada. O (Guilherme) Afif defende apoio ao Tarcísio, outra ala do PSD, ao França, e muita gente, a candidatura própria”, despistou Kassab. Hoje, o pré-candidato da sigla é Ramuth.

No PSB, porém, aliados de França dizem acreditar que o acordo de Kassab com Tarcísio já está firmado e esperam que o ex-governador anuncie em breve a aliança com Haddad, além de se lançar ao Senado. A decisão tiraria da corrida pelo Bandeirantes o segundo colocado nas pesquisas.

Desarranjo

Esse acerto causa desarranjo na coligação de Haddad. “Estamos aguardando manifestação do França. Depois disso vamos discutir a formação da chapa majoritária”, disse o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do plano de governo de Haddad. No entanto, PSB e PSOL já pleiteiam a vaga de vice, enquanto petistas buscam um nome mais ao centro. Essa escolha é vista como mais viável na Rede.

Pessoas próximas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disseram que ele concorda com leitura de aliados de Haddad de que é preciso ampliar o eleitorado além da esquerda, o que pode garantir melhor entrada no interior paulista. Com o anúncio do lançamento ontem de Marina Silva (Rede) para a Câmara dos Deputados, petistas já citam a deputada estadual Marina Helou.

“A composição majoritária passa por uma conversa com a federação PSOL-Rede. Esse diálogo não está instalado na Rede, mas temos vários nomes para colaborar, como Marina Helou e João Paulo Capobianco”, disse Giovanni Mockus, porta-voz da Rede em São Paulo.

Hegemonia

Após Luciano Bivar, presidente do União Brasil, ameaçar em entrevista ao Estadão romper com o PSDB, Garcia, segundo aliados, se reuniu com o dirigente. “O acordo será mantido. Rodrigo é nosso candidato e faremos nossa convenção junto com a dele, em 30 de julho”, disse o deputado Geninho Zuliani, da Executiva Estadual do União Brasil.

Procurado, Bivar disse, via assessoria, que a situação segue indefinida e negou que tenha se encontrado com Garcia. No entanto, o Estadão apurou que o governador prometeu a Bivar que estará no palanque ao seu lado na convenção nacional do União Brasil, em 5 de julho. O tucano precisa da legenda para ter o maior tempo de TV. A movimentação de Kassab assegura o segundo maior tempo a Tarcísio. Haddad ficaria em terceiro lugar.

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