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As relações entre o Poder Civil e o poder Militar

Análise|Operação contra PCC é aposta da Polícia Civil para ‘retomar’ o combate ao crime organizado no Estado

Movimento se diferencia de ‘ações espetaculares’ do passado que prometiam fechar a Cracolândia à força da noite para o dia e só ajudaram a ampliar os tentáculos do crime organizado no centro de SP

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Atualização:

A segunda fase da Operação Downtown representa para a cúpula da Polícia Civil uma volta por cima no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Depois que a instituição foi excluída das buscas e prisões realizadas durante a Operação Fim da Linha, em abril, que atacou a captura do sistema de transporte público pela facção criminosa em São Paulo, ela é uma das apostas dos delegados para retomar o protagonismo na área.

Movimentação da chamada Cracolândia, com usuários de crack, na rua Mauá. GCM concentra usuários de crack na lateral da estação da luz. Foto: Tiago Queiroz/Estadão - Foto: 09/11/23

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Entidades de classe da Polícia Civil chegaram até a questionar, após a operação Fim da Linha, a legalidade das buscas feitas nas empresas de ônibus UPBus e Transwolff em razão de terem participado delas exclusivamente promotores de Justiça, fiscais da Receita Federal e policiais militares. Integrantes da cúpula da Polícia Civil demonstraram na época sua insatisfação, o que chegou até ao secretário da Segurança, Guilherme Derrite, um capitão reformado da PM.

Agora é a vez da Polícia Civil agir sem o auxílio da PM ou do Ministério Público Estadual. A Delegacia Geral mobilizou homens de diversos de seus departamentos e tomou a cautela de informar o comando da Guarda Civil Metropolitana, instituição que, rotineiramente, lida com os usuários de drogas na Cracolândia. Tudo para evitar possíveis confrontos e reações às buscas na região.

Em 2023, a Polícia Civil faz a primeira fase da operação com GCM na região da Cracolândia para prender traficantes Foto: GCM

A Cracolândia é um tema sensível neste ano, quando São Paulo escolherá seu próximo prefeito. Ricardo Nunes (MDB), que disputa a reeleição, espera contar com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ambos são cobrados pelos comerciantes da região em razão do descalabro que se tornou o fluxo de usuários no coração da cidade. Daí, o interesse dos dois em relação aos resultados da operação.

Até então, uma das principais queixas de especialistas em segurança é que a ação individual contra pequenos traficantes e usuários de droga era uma forma de “enxugar gelo”. Seria, portanto, necessário uma ação contra a estrutura que financia o tráfico em toda região, e seguir o caminho feito pelo dinheiro ilícito obtido pela facção.

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É aqui que a estratégia da Operação Downtown se diferencia das ações espetaculares do passado, que prometiam fechar a Cracolândia à força da noite para o dia e, como as investigações demonstram, só ajudaram a ampliar os tentáculos do crime organizado pelo centro da capital paulista.

Análise por Marcelo Godoy

Repórter especial do Estadão e escritor. É autor do livro A Casa da Vovó, prêmios Jabuti (2015) e Sérgio Buarque de Holanda, da Biblioteca Nacional (2015). É jornalista formado pela Casper Líbero.

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