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Não há ambiente para conexão com Temer agora, diz Edinho Silva

A saída do PMDB do governo e o distanciamento de Michel Temer do Planalto inviabilizaram o ambiente para diálogo com o partido, avalia ministro

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O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Edinho Silva Foto: Wilson Dias|Agência Brasil

Brasília - A saída do PMDB do governo e o distanciamento de Michel Temer do Planalto inviabilizaram o ambiente para diálogo com o vice-presidente, na avaliação do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva. Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ministro disse não saber se haverá clima no futuro para a retomada do diálogo com o partido. Edinho, no entanto, ressaltou o diálogo entre o governo e lideranças do PMDB contrárias ao impeachment. Na entrevista, considerou ainda "natural" que o chamado processo de repactuação da base após a saída do PMDB ocorra com a troca de apoio por cargos. "Composição de governo é participação no governo, é ocupar espaços no governo", afirmou, considerando ainda fundamental o trabalho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em conjunto com a presidente Dilma para a superação da crise.Após o rompimento e críticas dos dois lados, houve um arrefecimento do clima entre PT e PMDB? A saída do PMDB, que era prevista, criou ambiente para se repactuar o governo, reorganizando a base de apoio. O governo, nesse sentido, foi rápido, foi ágil e aquilo que poderia ser um fator muito negativo acabou criando condições para que a reorganização da base de apoio começasse a construção de um clima favorável. Nesse momento o clima é de aglutinação de forças em torno do governo.Mas essa aglutinação é feita mais no varejo do que no atacado? Não, porque você tem, mesmo com uma parte das bancadas em disputa, ainda grandes bancadas na base de apoio, como o PP, PSD, PR, e o próprio PRB, com uma parte significativa em defesa do governo. Além disso, tem os partidos menores que estão se aglutinando em blocos e vindo em favor do governo.E o governo está pagando isso como? Com cargos? Composição de governo é participação no governo, é ocupar espaços no governo, ajudar na governabilidade. Isso é natural.E o PMDB? Como ficará? É um partido que construiu sua trajetória na defesa da democracia e, infelizmente, nesse momento de crise política, a direção optou pela saída do governo. Tem uma parte importante (do PMDB) que mesmo não sendo a posição oficial do partido, continua defendendo o governo.Quais ministros vão continuar? Até agora só o ministro Henrique Alves saiu. Os outros continuam.E eles representam quem? O PMDB? Aí não é um problema do governo. Se o PMDB decidiu sair e os ministros decidiram ficar, para o governo quanto mais apoio, melhor.O governo quer esses ministros? O governo quer dialogar com todo mundo que queira construir uma saída da crise que estamos vivendo no campo da democracia. Esses ministros (do PMDB) que estão no governo são contra o impeachment.E eles têm poder na Câmara para evitar o impeachment? Eles dialogam com a parte da bancada. Essa contradição não é do governo, é do PMDB.Como o governo recebe esse distanciamento do vice-presidente Michel Temer? Nesse ambiente que está aqui, o governo não tem que olhar para isso. Temos que superar esse momento que a crise se agudizou e, se tiver que reabrir um espaço de diálogo, não é agora. Não há ambiente agora para essa conexão.O senhor acha que o vice-presidente entende assim também? Todas as lideranças são experientes. Se tiver de reatar o diálogo com o vice-presidente tem de aguardar a superação desse momento. Esse momento será superado com a derrota do impeachment.Temer também faz o papel dele em ficar retraído? Estou dizendo que minha posição é que se tiver de reatar diálogo com o vice-presidente tem de esperar a superação desse momento. Essa é a minha posição, nem é a do governo. Nesse ambiente, não dá para procurar o diálogo, porque está muito acirrado, o PMDB acabou de votar a saída do governo. Tem de esperar o ambiente mais tranquilo para que você possa procurar lideranças do PMDB. Agora, lá na frente teremos condições do diálogo? Só o momento que vai dizer.O governo acredita que não vai ter o impeachment por não ter base legal. Como será possível ter confiança no PMDB depois disso? Não estou dizendo que será assim. Estou dizendo que se tiver em algum momento a volta do diálogo, não é agora. Agora não tem ambiente e não sei se esse ambiente existirá.Mas já há um diálogo institucional com parte do PMDB. Há um diálogo de lideranças do PMDB que querem ajudar o País a sair da crise pela construção democrática. Ministros que continuam aí declarando apoio ao governo.O que não é o caso do Temer. Eu não vi nenhuma declaração pública do Temer, mas é evidente que toda a leitura que se tem é que nesse momento existe um distanciamento do vice-presidente em relação ao governo. Distanciamento formal, porque ele é eleito vice-presidente e é vice-presidente.E o papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse diálogo? É fundamental. Estamos falando da maior liderança popular da história do Brasil, do presidente de maior aprovação do País, de um exímio articulador político. Ele tem ajudado muito na superação da crise que estamos vivendo hoje.E por que esse diálogo não é feito pela presidente Dilma? Ela tem feito muito. Tem trabalhado muito para a superação da crise e tem sido fundamental. O trabalho conjunto dos dois tem sido fundamental para a construção da superação dessa crise.